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Assembleia Legislativa

Projeto na ALEMS cria reserva de vagas para mulheres em situação de violência

Proposta de Zé Teixeira prevê contratação em serviços terceirizados do Estado

João Gabriel Vilalba
Capital News

O deputado estadual Zé Teixeira (PL) apresentou na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) o Projeto de Lei 80/2026, que reserva 2% das vagas de trabalho em contratos públicos estaduais para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

A medida alcança editais de licitação e contratos de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra. A iniciativa busca garantir autonomia financeira às mulheres em situação de violência, possibilitando que rompam o ciclo de abusos, reconstruam suas vidas e evitem agressões continuadas que, frequentemente, culminam em feminicídio.

Segundo o parlamentar, a dependência econômica é um dos principais obstáculos para o rompimento do vínculo com o agressor. Ao estabelecer a cota, a proposta atua de forma preventiva. A comprovação da situação de vulnerabilidade ocorrerá mediante apresentação de medida protetiva de urgência emitida pelo Poder Judiciário ou por encaminhamento oficial de órgão integrante da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O texto também assegura sigilo absoluto sobre os dados pessoais e o histórico das trabalhadoras, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A inserção no mercado de trabalho por meio das contratações públicas é apontada como uma das ferramentas mais eficazes para interromper o ciclo da violência. Nesse sentido, a proposta reúne dados de estudo desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e experiências de servidores do Legislativo que atuaram na assistência de acusação em julgamentos de crimes contra a vida no Estado. O levantamento indica que as medidas de proteção tendem a perder eficácia quando a vítima não possui meios próprios e sustentáveis de subsistência.

A matéria também prevê segurança jurídica para as empresas e para a administração pública. O projeto isenta as contratadas de penalidades e permite que as vagas sejam destinadas ao público em geral caso não haja candidatas inscritas ou qualificadas para preencher a cota. O texto segue as diretrizes da Nova Lei de Licitações e o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), preservando a competência legislativa do Parlamento sem gerar novas despesas aos cofres públicos ou alterar a estrutura do Poder Executivo estadual.

Além disso, o projeto incentiva a responsabilidade social da iniciativa privada. Empresas que adotarem voluntariamente o mesmo percentual de contratação em seus quadros poderão receber o título de Parceira da Mulher Sul-Mato-Grossense, concedido pela ALEMS.

Segundo Zé Teixeira, a proposta foi redigida em conformidade com as diretrizes da Política Nacional de Linguagem Simples, com o objetivo de facilitar a compreensão e a aplicação da norma por gestores públicos e pregoeiros, promovendo dignidade, segurança e oportunidades para as mulheres sul-mato-grossenses.

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