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Política

Nelsinho Trad quer debate no Congresso sobre decisão dos EUA contra PCC e CV

Senador afirma que comissão deve reunir especialistas para avaliar reflexos da medida na segurança, economia e soberania nacional.

João Gabriel Vilalba
Capital News

O senador Nelsinho Trad (PSD) pretende aprofundar no Congresso Nacional a discussão sobre os impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Segundo o parlamentar, já há uma reunião de trabalho aprovada no âmbito da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência para tratar do tema. A proposta é reunir especialistas, representantes da área de inteligência, do Ministério da Defesa, do Itamaraty, das forças de segurança e de outros órgãos envolvidos para avaliar os efeitos da medida sobre a segurança pública, a soberania nacional e a economia brasileira.

“Precisamos compreender todos os impactos dessa decisão dos Estados Unidos para a segurança, a soberania e a economia brasileira”, afirmou.

Durante entrevista concedida nesta sexta-feira, o senador também não descartou uma nova atuação diplomática do Senado junto aos Estados Unidos, nos moldes da missão suprapartidária liderada por ele durante a crise tarifária envolvendo produtos brasileiros.

“Não vamos nos furtar, se houver necessidade, de fazer o mesmo procedimento: montar uma comissão pluripartidária, sem viés político, ir aos Estados Unidos e verificar exatamente quais procedimentos precisam ser tomados para que essa medida possa contribuir para o combate ao crime organizado sem ferir a soberania nacional”, declarou.

O senador destacou que o enfrentamento às facções criminosas deve ser tratado como prioridade e que toda iniciativa capaz de ampliar a segurança da população brasileira merece análise cuidadosa. Ao mesmo tempo, defendeu cautela diante dos possíveis efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos decorrentes da decisão norte-americana.

“Precisamos sair da polarização e olhar para o interesse do Brasil. É uma questão que envolve segurança pública, relações internacionais, inteligência, soberania e atividade econômica. O momento exige responsabilidade, pragmatismo e diálogo”, afirmou.

Nelsinho Trad informou ainda que há preocupação entre parlamentares de diferentes áreas, especialmente em relação aos possíveis reflexos sobre setores produtivos, operações financeiras e relações internacionais. A classificação de grupos criminosos como organizações terroristas já foi utilizada pelos Estados Unidos em relação a cartéis mexicanos, à MS-13 e ao Tren de Aragua.

Especialistas alertam que a decisão pode produzir efeitos que ultrapassam a área da segurança pública. O promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC, já apontou que instituições financeiras podem ser afetadas caso operações sejam associadas, ainda que indiretamente, a integrantes ou estruturas vinculadas a organizações classificadas como terroristas.

Na prática, uma empresa brasileira pode não ter qualquer ligação direta com o crime organizado e, ainda assim, sofrer impactos caso bancos, seguradoras, compradores internacionais ou autoridades estrangeiras passem a considerar determinadas regiões, cadeias logísticas ou operações financeiras como áreas de risco ampliado. Esse cenário pode atingir exportadores, transportadoras, frigoríficos, produtores rurais, empresas de infraestrutura e instituições financeiras que dependem de crédito, seguros, pagamentos internacionais ou acesso ao mercado norte-americano.

Divulgação

Marco Rubio

Acordo de combate ao narcotráfico assinado pelo Secretário de Relações Exteriores, Rubén Ramírez, pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo Secretário Adjunto de Segurança Interna, Troy Edgar

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