Após a divulgação da venda do Consórcio Guaicurus para um grupo empresarial de Goiás, anunciada nesta terça-feira (21), a Câmara Municipal de Campo Grande informou que acompanhará de perto todo o processo, incluindo o cumprimento das melhorias obrigatórias na qualidade do serviço, como a renovação da frota e a modernização da mobilidade urbana.
Os vereadores da Casa de Leis também reforçaram que permanecerão vigilantes na fiscalização de todas as etapas da transição.
O cenário atual é resultado de um debate intensificado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, instaurada pela Câmara Municipal no início de 2025. Após meses de investigação, análise de documentos técnicos e mais de 50 horas de oitivas, os vereadores apontaram sucessivos descumprimentos contratuais relacionados à renovação da frota, à manutenção dos veículos e à qualidade da operação do serviço.
O relatório final da CPI recomendou a substituição imediata de 197 ônibus, a intervenção no Consórcio Guaicurus e apontou a possibilidade de caducidade da concessão. Desde então, o Executivo Municipal decretou a intervenção na concessionária e, agora, analisa a proposta de venda das empresas que compõem o sistema de transporte coletivo da Capital.
Presidente da CPI do Transporte Coletivo e da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, o vereador Dr. Lívio enfatizou que a mudança na gestão do serviço somente terá significado se resultar em benefícios concretos para a população.
"O que realmente importa ao cidadão campo-grandense não é quem opera o sistema, mas a garantia de um transporte público digno, eficiente, seguro e compatível com a importância da nossa Capital", afirmou.
Além de Dr. Lívio na presidência, a CPI do Transporte Coletivo contou com a vereadora Ana Portela como relatora e com os vereadores Luiza Ribeiro, Junior Coringa e Maicon Nogueira como membros.
Para o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy, os desdobramentos observados são consequência direta de uma investigação conduzida com responsabilidade pelo Legislativo.
"A Câmara teve a coragem de enfrentar um problema histórico da cidade, aprofundou a investigação, apresentou soluções e fortaleceu decisões importantes que passaram a ser adotadas pelo Poder Executivo. Nosso compromisso continua sendo fiscalizar para que essa mudança não fique apenas no papel e resulte, de fato, em um transporte melhor para a população."
Mesmo com a possível mudança no comando da concessionária, a Câmara Municipal reforçou que continuará acompanhando a intervenção administrativa e cobrando o cumprimento das recomendações apresentadas pela CPI.
• Saiba mais sobre: Intervenção no Consórcio Guaicurus
A avaliação dos vereadores é de que este novo momento somente será bem-sucedido se representar uma mudança efetiva na experiência dos passageiros, com ônibus mais novos, maior confiabilidade do sistema, terminais adequados e respeito aos direitos de quem depende diariamente do transporte coletivo.
Para o Legislativo, a venda do Consórcio Guaicurus representa mais um desdobramento de um processo iniciado com a CPI do Transporte Coletivo, que colocou em evidência problemas históricos do sistema e pressionou por providências.
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