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Câmara Campo Grande

Câmara debate planejamento do Parque Linear do Segredo

Construção de ponte divide opiniões entre moradores e autoridades

João Gabriel Vilalba
Capital News

O planejamento estrutural e sustentável do Parque Linear do Segredo foi discutido pela Câmara Municipal de Campo Grande na quinta-feira (23), durante audiência pública realizada na Associação de Moradores da Vila Saraiva, região norte da Capital. O encontro foi convocado pelo vereador Ronilço Guerreiro com o objetivo de ouvir moradores e representantes do poder público, a fim de construir, de forma conjunta, um plano de crescimento urbano alinhado à preservação ambiental.

Um dos principais pontos debatidos foi a possível ligação entre os dois lados da Avenida Heráclito de Figueiredo, por meio da construção de uma ponte. A proposta gerou questionamentos sobre impactos ambientais e sobre sua efetividade para o ordenamento do fluxo de veículos na região.

Segundo Ronilço Guerreiro, o crescimento urbano precisa estar acompanhado de planejamento para evitar problemas estruturais.
“Sou favorável ao crescimento da cidade, mas isso precisa acontecer com planejamento. Não adianta apenas expandir e aumentar a população sem garantir mobilidade urbana, transporte público eficiente, escolas e atendimento de saúde. O desenvolvimento precisa vir junto com condições reais para quem vive na região”, afirmou.

Durante o debate, representantes da Prefeitura explicaram a necessidade de organizar o trânsito, conforme diretrizes do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana.

A diretora-adjunta da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Andrea Luiza Torres Figueiredo, destacou o crescimento populacional da região.
“A região tem se adensado muito, com muitas habitações sendo construídas. Independentemente de novos empreendimentos, já existem diversos residenciais implantados, o que exige melhorias na mobilidade”, explicou.

Já a diretora-executiva da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano, Mariana Massud, ressaltou a importância da participação popular no início do processo.
“Esse é um espaço importante para ouvir a população. O projeto ainda está em fase inicial e segue as diretrizes legais para sua eventual implantação”, pontuou.

O secretário municipal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, apresentou dados sobre o crescimento da frota de veículos como fator de pressão sobre a mobilidade urbana.
“Temos quase dois carros por habitante. Com uma população próxima de 1 milhão de pessoas, o número de veículos cresce rapidamente, o que exige planejamento”, afirmou.

O debate também trouxe propostas alternativas para o ordenamento do trânsito, priorizando a preservação ambiental do parque.

O gestor ambiental do Projeto Ecoplantar, Marcos Eduardo Bergoli Kirst, defendeu soluções que não impactem a área.
“A mobilidade urbana é necessária, mas existem alternativas que não afetam o parque. Precisamos agir com inteligência, especialmente diante das mudanças climáticas. O parque é uma infraestrutura ambiental importante, inclusive para controle de enchentes”, ressaltou.

O promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida destacou a relevância da participação popular.
“A democracia não se resume ao voto. É fundamental que a população participe das decisões que impactam a coletividade”, afirmou.

O vereador Landmark, que secretariou a audiência, posicionou-se contra a construção da ponte na área de preservação.
“Entendemos a necessidade de mobilidade, mas é preciso buscar alternativas. Essa escuta da população é essencial”, disse.

Já o vereador Veterinário Francisco também defendeu a participação popular.
“Aqui é uma extensão da Casa do Povo. A população tem o poder de influenciar decisões importantes”, declarou.

A presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Rosângela Maria, destacou o engajamento da comunidade.
“É a primeira vez que vejo uma participação tão ativa desde o início de um projeto. Isso faz diferença no resultado final”, afirmou.

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Eliane Guaraldo, ressaltou a importância ambiental da região.
“A área do Segredo contribui significativamente para a cobertura vegetal da cidade, influenciando indicadores ambientais importantes”, explicou.

Ao final, Ronilço Guerreiro afirmou que será elaborado um relatório com as contribuições da audiência para subsidiar decisões futuras. O parlamentar também se posicionou contrário à construção da ponte nos moldes propostos.
“Sou contra essa ponte da forma como está no projeto. Defendo alternativas, como a criação de rotas ou uma rotatória para organizar o trânsito”, concluiu.

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