A Prefeitura de Dourados contratou duas empresas para reforçar os serviços de limpeza urbana nas aldeias indígenas do município. A medida ocorre após cobranças públicas do vereador Franklin Schmalz (PT), que vinha alertando sobre o acúmulo de lixo e o avanço de doenças como dengue e chikungunya na região.
As empresas contratadas são a Financial Construtora Industrial e a Litucera Limpeza e Engenharia, que atuarão em áreas consideradas críticas, especialmente na Reserva Indígena de Dourados, onde já foram identificados milhares de focos do mosquito transmissor e há registro de mortes. O investimento total ultrapassa R$ 926 mil e será destinado a ações emergenciais de coleta de lixo e limpeza urbana, com foco no combate às arboviroses.
A prefeitura iniciou um mutirão de limpeza na reserva, com atuação concentrada inicialmente na Aldeia Bororó, no último dia 20, contando com apoio logístico das empresas contratadas para acelerar a retirada de resíduos sólidos. Dados da administração municipal indicam que, desde o início de março, mais de 1.100 toneladas de resíduos já foram recolhidas.
Agravamento do cenário
As ações ocorrem em meio a um cenário crítico. Dourados já soma mais de 5 mil casos prováveis de chikungunya, com mais de 2 mil confirmações e ao menos oito mortes registradas.
Nos últimos dias, Franklin Schmalz vinha denunciando a situação enfrentada pelas comunidades indígenas, destacando o acúmulo de resíduos em locais sensíveis, como escolas, e cobrando um mutirão emergencial por parte do poder público.
Um dos pontos levantados foi a presença de tonéis de lixo acumulado na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, onde funciona um espaço de atendimento à população no enfrentamento à doença. Após as cobranças, os recipientes foram retirados da área próxima à quadra de esportes, onde havia sido montado um ambulatório.
“Montaram o ambulatório de atendimento na quadra e havia tonéis da minha altura cheios de lixo ao redor de onde as pessoas estavam sendo atendidas. Não dá para tratar isso só com orientação. A coleta de lixo é responsabilidade da Prefeitura e precisa acontecer com urgência”, afirmou o vereador.
Falhas estruturais
A situação nas aldeias evidencia a necessidade de atuação contínua entre população e poder público. Enquanto os moradores são orientados a eliminar possíveis criadouros, cabe ao município garantir condições adequadas de limpeza e coleta regular de resíduos — o que, segundo relatos, não vinha ocorrendo de forma satisfatória.
A resposta emergencial, iniciada após cobranças públicas e com o cenário já agravado, reforça a dimensão do problema enfrentado pelas comunidades indígenas. O vereador afirmou que seguirá acompanhando a execução dos serviços e cobrando continuidade nas ações.
“Estamos falando de uma crise de saúde pública. Não basta uma resposta pontual; é preciso garantir regularidade, eficiência e respeito com quem vive nas aldeias”, concluiu.
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