João Pedro Oliveira/Perfil News

Gecoc aponta suspeitas de fraude em acordos para locação de máquinas e serviços de cascalhamento; 19 mandados foram cumpridos em MS e SP
Três contratos firmados pela Prefeitura de Três Lagoas estão no centro das investigações da Operação Máquinas de Areia, deflagrada nesta quinta-feira (6) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção do Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Juntos, os acordos somam R$ 98,8 milhões.
A ação é realizada pelo Gecoc, Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) e pela 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e Castilho, no interior de São Paulo.
Entre os alvos estão as empresas MS Brasil Comércio e Serviços Eireli e Engenex Construções e Serviços LTDA, além do empresário André Luís dos Santos, conhecido como “Patrola”. Segundo informações do Ministério Público, ele já havia sido citado em investigação anterior, denominada Cascalhos de Areia, em 2023, quando foram apontadas possíveis ligações com as empreiteiras.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura de Três Lagoas também foi alvo da operação. O titular da pasta, Osmar Dias Pereira, foi um dos alvos da ação.
O advogado André Borges afirmou que o secretário foi surpreendido pela operação.
“O secretário está surpreso porque nada fez de errado. Vamos pedir acesso à investigação para defender regularmente. Todos precisam saber que ninguém é considerado culpado antes de julgamento justo, com contraditório efetivo. A apuração é preliminar, inexistindo processo ou acusação”, declarou em nota.
Conforme o Gecoc, as suspeitas envolvem a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, máquinas e equipamentos pesados, além de acordos destinados à realização de serviços de cascalhamento.
Contratos da MS Brasil
Um dos contratos investigados foi firmado entre a MS Brasil e a Prefeitura de Três Lagoas em 2018, por meio de adesão a uma licitação realizada originalmente pela Prefeitura de Campo Grande. O acordo previa a locação de máquinas, caminhões e equipamentos.
Segundo dados do Portal da Transparência, o contrato tinha valor inicial de R$ 2,8 milhões. Ao ser encerrado, em 2023, o montante havia chegado a R$ 18,4 milhões, aumento superior a seis vezes em cinco anos.
O contrato foi encerrado após a empresa conquistar um novo acordo com o município. Inicialmente avaliado em R$ 23,7 milhões, o contrato ainda está em vigor e, em 2026, alcança R$ 75,7 milhões, valor três vezes superior ao inicial.
Contrato da Engenex
O terceiro acordo investigado envolve a Engenex. Em 2022, a empresa foi contratada para executar obras de cascalhamento em estradas vicinais pelo valor inicial de R$ 3,5 milhões.
Após prorrogações e aditivos que acrescentaram R$ 1,1 milhão ao contrato, os serviços foram encerrados em 2025, com custo total de R$ 4,6 milhões.
Somados, os três contratos que estão no foco da investigação chegam a R$ 98.828.873,18.
As investigações continuam para apurar eventuais irregularidades na execução dos contratos e identificar a participação de cada envolvido.
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