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Política

Mato Grosso do Sul deve universalizar saneamento básico até 2027, anuncia Riedel

Estudo do Trata Brasil aponta potencial de R$ 40,8 bilhões em benefícios econômicos e sociais até 2040

João Gabriel Vilalba

O governador Eduardo Riedel (PP) anunciou, nesta segunda-feira (22), a antecipação da meta de universalização do saneamento básico em Mato Grosso do Sul para o fim de 2027. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa em que o Instituto Trata Brasil apresentou um estudo apontando os impactos positivos da ampliação da cobertura de água e esgoto no Estado.

Segundo o levantamento, a universalização do saneamento deve trazer benefícios diretos à população nas áreas de saúde, economia, turismo, produtividade e valorização imobiliária.

Álvaro Rezende/Secom-MS

Eduardo Riedel

Governador Eduardo Riedel (PP), em apresentação de dados pelo Instituto Trata Brasil

Durante a apresentação dos dados, foi destacado que Mato Grosso do Sul acumulou quase R$ 20 bilhões em ganhos econômicos e sociais entre 2005 e 2024 em decorrência da expansão dos serviços de saneamento. A projeção é que, entre 2025 e 2031, esse montante alcance R$ 26 bilhões.

O estudo também estima que os benefícios econômicos para a população cheguem a R$ 40,8 bilhões entre 2025 e 2040. De acordo com o Instituto Trata Brasil, cada R$ 1 investido em saneamento no Estado pode gerar R$ 5,90 em benefícios sociais, acima da média nacional, estimada em R$ 4,10.

“Hoje é um dia de celebrar e agradecer a todos os envolvidos. Podemos ter orgulho em dizer que Mato Grosso do Sul será o primeiro estado do Brasil a universalizar o saneamento básico. Nossa meta oficial é 2028, mas já trabalhamos para alcançar esse objetivo até o final de 2027. Trata-se de uma mudança real na vida das pessoas, promovendo bem-estar e dignidade”, afirmou o governador.

Riedel destacou que esse avanço começou a ser construído em 2015, quando foram iniciadas as discussões para a implantação de uma Parceria Público-Privada (PPP) voltada ao esgotamento sanitário. O contrato foi concretizado em 2021, antes mesmo da implementação do Marco Legal do Saneamento.

“Naquela época, o Estado possuía cerca de 35% de cobertura de esgoto. Hoje estamos próximos de 80%. É uma transformação que a população sente no dia a dia. Temos água de qualidade disponível, saneamento básico avançando e um esforço concentrado para alcançarmos resultados ainda melhores”, destacou.

O governador ressaltou que o estudo apenas traduz em números os benefícios que já vêm sendo percebidos pela população.

“O que antes era uma percepção agora pode ser medido. Esses dados nos ajudam a entender nossa evolução e mostram que foi uma decisão acertada investir em algo essencial para a sociedade”, completou.

Planejamento e resultados

Segundo o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, os avanços são resultado de planejamento e investimentos contínuos.

“É motivo de orgulho participar dessa transformação, que não aconteceu por acaso. Houve uma visão estratégica que nos permitiu chegar até aqui. Somente nesta gestão, saímos de 60% para 77% de cobertura de esgoto, com quase 110 mil novas ligações realizadas em três anos e meio. Estamos no caminho para atingir a universalização cinco anos antes do prazo previsto pelo Marco Legal”, afirmou.

Dados apresentados durante o evento mostram que a cobertura de esgoto nos municípios atendidos pela Sanesul passou de 72,34% em agosto de 2025 para 77,04% em maio de 2026, um crescimento de 4,7 pontos percentuais em apenas nove meses.

Grande parte desse avanço é atribuída à PPP firmada entre a Sanesul e a empresa Ambiental MS Pantanal. Atualmente, pelo menos 30 municípios atendidos pela companhia possuem cobertura superior a 90%. Em cidades como Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Inocência e Paranaíba, o índice já alcança 99%.

“Vemos em Mato Grosso do Sul um modelo de universalização construído por meio de uma parceria sólida. Todos trabalham em conjunto para enfrentar um desafio que não é apenas do Estado, mas de todo o país. O objetivo não é apenas atingir metas, mas melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou Gabriel Buim, diretor-presidente da MS Pantanal.

Para 2026, o plano de investimentos prevê obras em 39 municípios, incluindo a implantação de mais de 480 quilômetros de novas redes coletoras, ampliação de 92 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), melhorias em Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs), novas ligações domiciliares e reforço da estrutura operacional.

Legado para as próximas gerações

Álvaro Rezende/Secom-MS

Luana Pretto

Luana Pretto apresenta os dados do estudo sobre saneamento básico de MS durante evento

A CEO do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destacou que os impactos da universalização do saneamento se estendem por décadas e representam um legado para as futuras gerações.

“O objetivo deste estudo é mensurar os benefícios econômicos e sociais que a universalização do saneamento já trouxe ao Estado e o que ainda pode proporcionar nos próximos anos. Estamos falando de melhorias na saúde, educação, valorização imobiliária, turismo e geração de renda. Todos esses fatores são influenciados por uma infraestrutura que transforma a vida das pessoas”, afirmou.

O levantamento aponta ainda que a redução dos custos com saúde pública poderá alcançar R$ 258,8 milhões entre 2025 e 2040. Já o ganho de produtividade estimado para o mesmo período chega a R$ 14,8 bilhões em Mato Grosso do Sul.

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