A discussão em torno da reforma tributária brasileira costuma se concentrar quase exclusivamente nos debates sobre alíquotas e no impacto financeiro direto, especialmente com relação ao temor de aumento de carga para o setor de serviços. No entanto, reduzir a reforma a uma mera alteração no formato de apuração de impostos é um erro estratégico. O novo cenário altera profundamente a lógica dos modelos de negócios no país e deve alcançar diretamente a relação com o cliente.
O primeiro fator que se apresenta como desafiador para muitas empresas é a necessidade de rever seus regimes de tributação simplesmente para seguirem atraentes. Se o formato adotado impedir que o comprador capture créditos tributários de forma eficiente, ele simplesmente buscará outro fornecedor que lhe ofereça maior eficiência fiscal. A sobrevivência comercial, portanto, passará a exigir alinhamento fiscal rigoroso com toda a cadeia de valor.
Além disso, a reforma neutraliza antigas vantagens competitivas. Manobras fiscais sofisticadas e uma infinidade de incentivos regionais ou setoriais perdem espaço com a unificação e a transparência do novo sistema. Com isso, o terreno de jogo se equaliza: o planejamento tributário agressivo deixa de ser o principal motor de diferenciação no mercado. O foco deixa de ser "quanto se paga de imposto por meio de artifícios" e passa a ser quem de fato extrai a melhor performance de gestão e operação.
É nesse cenário que a excelência operacional e a gestão altamente eficaz entram como fatores determinantes do sucesso empresarial. O planejamento tributário diferenciado que garantia a competitividade dá lugar aos cuidados como o ganho de performance, seja na redução de desperdícios e no aumento da produtividade, e o profundo conhecimento da própria operação, por meio do mapeamento exato de custos, margens e gargalos. Aqui, entra também as decisões que deixam de ser tomadas por achismos e passam a ser tomadas baseadas em dados, em métricas consolidadas de desempenho.
Para grande parte dos empreendimentos, trata-se de uma profunda reestruturação e, nesse contexto, contar com uma consultoria especializada em gestão empresarial pode representar o divisor de águas entre o crescimento e a obsolescência.
O suporte externo contribui para avaliar e identificar, de maneira isenta, gargalos invisíveis no dia a dia da operação, bem como apontar caminhos de melhoria contínua. Mais do que isso, o olhar externo possibilita comparar a performance da empresa com as melhores práticas do setor, acelerando a curva de aprendizado.
A consultoria especializada pode, para além da avaliação e identificação de gargalos ou vulnerabilidades, estruturar processos gerenciais robustos, permitindo que o empresário tome decisões baseadas em dados e eficiência operacional, e não apenas em subterfúgios fiscais, o que permite ao empresário não apenas se ajustar à nova realidade regulatória, mas também a transformar essa obrigação legal em uma grande oportunidade para otimizar sua gestão e liderar o mercado pelo mérito de sua performance.
Ainda estamos em tempo, mas com a janela de oportunidade se estreitando. Empresas que querem aproveitar a reforma tributária para dar um salto na gestão precisam se preparar, desde já, para revisar seus processos internos, alinhar seus sistemas de ERP e redefinir suas estratégias comerciais. Esse é um passo fundamental para garantir competitividade muito além dos impostos.
*Rica Mello
Economista pela USP, com MBA pela Kellogg School of Management. Atuou por dez anos como consultor nas globais McKinsey e Bain & Company e hoje opera empresas em setores variados como indústria, e-commerce e educação, aliando gestão estratégica à implementação de inteligência tecnológica.
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