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Internacional Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008, 14:09 - A | A

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008, 14h:09 - A | A

Morales ameaça cortar relações com EUA se embargo a Cuba não acabar

Da Redação

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs nesta quarta-feira que os países da América Latina e do Caribe retirem seus embaixadores dos Estados Unidos se, "após um prazo", o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que tomará posse em 20 de janeiro, não suspender o embargo econômico a Cuba.

"Seria importante, sei que muitos não vão gostar, dar um prazo ao novo governo dos EUA para suspender o bloqueio econômico [a Cuba]. Se não fizer isso, retiraremos embaixadores", afirmou Morales na segunda sessão da Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada na Costa do Sauípe, na Bahia.

Nesta terça-feira (16), Cuba foi formalmente integrada ao Grupo do Rio, fórum multilateral agora com 23 países de América do Sul, América Central e o México.

Morales ainda criticou a Organização dos Estados Americanos (OEA) pela expulsão de Cuba, em 1962, e perguntou como é possível que "o país mais solidário" seja expulso de um órgão internacional. Ele leu partes da resolução que expulsou Cuba dessa organização, na qual há uma referência ao governo marxista-leninista de Havana, e disse que, se fosse seguido este critério, "certamente Venezuela e Bolívia estariam expulsos da OEA neste momento".

"Este tipo de resolução deve ser levada ao tacho, à lixeira, ao banheiro, porque ofendem um país", acrescentou Morales, que, no entanto, disse ter "muito respeito" pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a quem definiu como "companheiro, irmão".

Cuba

Nesta terça-feira (16), os líderes presentes na cúpula festejaram a presença do presidente Raúl Castro, que faz sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu a Presidência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a presença do cubano era "muito importante". "Espero que seja a primeira de uma série de reuniões de que participa conosco", disse.

Cuba não participa do processo de Cúpula das Américas, lançado em 1994, em Miami, pelo então presidente dos EUA, Bill Clinton --cuja mulher, Hillary, será agora secretária de Estado, indicada pelo presidente eleito Barack Obama.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que a presença de Castro foi um "sinal" de que "os EUA já não mandam aqui".

Chávez

Também nesta quarta-feira, Chávez afirmou que "o Brasil exerce uma liderança importante na América Latina, mas na região não há um líder único".

Quanto à possibilidade de que o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lidere um processo para superar a crise, Chávez considerou que é preciso "esperar para ver". "O capitalismo não é de Obama nem de Bush, o capitalismo é do diabo", afirmou. Chávez disse querer instaurar na Venezuela o "socialismo do século 21". (Fonte: Folha Online)
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