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Interior Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008, 13:06 - A | A

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008, 13h:06 - A | A

Produtos produzidos por detentos ganham mercado em Paranaíba

Da redação (LM)

Uma selaria instalada no Estabelecimento Penal de Paranaíba (EPPar) tem conquistado a clientela da região com produtos de qualidade e preços competitivos que chegam a ser até 40% mais baratos que os praticados no mercado.

No presídio, além das selas, são produzidos manualmente arreios, cabeçadas, barrigueiras, chicotes, laços em couro, láctios, loros, travessões, chinchadores, pelegos, bacheiros etc.

Segundo administrador do estabelecimento penal, Moisés Cruz de Queiroz, apesar de ocorrerem em pequena escala, os produtos têm compradores não só em Paranaíba, mas também em Costa Rica, Aparecida do Taboado, Cassilândia, entre outros municípios.

Um dos parceiros e clientes mais antigos é a Agrofort Comércio de Produtos Agropecuários, de Cassilândia. O dono da empresa, Wagner Modesto, informa que já compra produtos confeccionados na selaria do presídio há três anos e nunca teve do que reclamar. “Eles utilizam matéria-prima com padrão de primeira e as ‘tralhas’ têm ótimo acabamento”, assegura.

Já o proprietário do Mercadão Agrícola Agroboi Ltda, Jair Rodrigues de Carvalho, que atua em Costa Rica, destaca a organização da selaria instalada no presídio. “Funciona como uma empresa normal, se preocupam com a qualidade e com os prazos de entrega”, garante. “Sou cliente há um ano e não tenho nada o que reclamar”, completa.

De acordo com o diretor do EPPar, José Carlos Marques, a selaria começou com uma terceirização e, após a desistência do dono da outra parte, por falta de recursos, eles assumiram a responsabilidade.

O dinheiro que é arrecadado com as vendas se reverte em produtos. Do lucro obtido, 10% ficam com a unidade penal para custeio de gastos em geral e o restante é repassado aos seis internos que trabalham na selaria.

Oportunidade

Mas acima da visão empresarial, a selaria do Estabelecimento Penal de Paranaíba representa uma ferramenta de ressocialização. Conforme vai surgindo demanda, novos internos são cadastrados e passam a aprender a atividade profissional com os mais experientes.

Além de aprender um novo ofício – que abrirá portas quando conquistarem a liberdade – e proporcionar ganhos financeiros, o trabalho garante remição na pena, pois três dias de serviço correspondem a um dia a menos na prisão.

Para o interno Norail Rezende, o trabalho na selaria também o ajuda a encarar o dia-a-dia. “Para quem está preso, trabalhar é muito importante porque é uma forma de ocupar a mente”, ressalta. (Notícias MS)

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