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Interior Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008, 13:29 - A | A

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008, 13h:29 - A | A

Produtores rurais e indígenas buscam acordo

Da redação (LM)

Buscar solução definitiva quanto à demarcação de terras foi o principal motivo da reunião realizada ontem à tarde na sede da Catedral Imaculada Conceição, em Dourados, envolvendo pela primeira vez produtores rurais e indígenas.

A reunião aconteceu a pedido do produtor rural e vereador Eduardo Marcondes (PMDB). A igreja intermediou o diálogo com todos os setores envolvidos na questão da demarcação.
Estiveram presentes o bispo Diocesano Dom Redovino Rizardo, o vereador Marcondes, o procurador da república Marco Antônio Delfino de Almeida, representes da Famasul, dos índios e Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A Fundação Nacional do Índio (Funai), apesar de convidada, não compareceu ao encontro.

Da reunião foi tirada uma comissão que vai começar a discutir, nos próximos encontros, os pontos que preocupam as partes envolvidas. Todos devem apresentar projetos e opiniões para serem discutidos até se chegar a uma solução quanto a possível demarcação, conforme prevê as portarias editadas pela Funai, que por enquanto estão suspensas.

Segundo o vereador Eduardo Marcondes, a comissão pretende estreitar um diálogo, cujo objetivo é dar fim ao impasse. O primeiro ponto a ser discutido é definir a data a partir da qual as terras poderão ser consideradas indígenas. "É necessário definir o tempo, se de 200 ou 100 para cá", explica. A partir desta definição, eles querem saber quais as áreas que devem passar pelos estudos antropológicos. Conforme as portarias da Funai são 26 municípios impactados. "O que mais está desgastando os produtores rurais é essa incerteza acerca dos locais", afirmou.

Outro ponto, é discutir as indenizações das terras. Com relação aos índios, outra proposta é achar soluções para os problemas pontuais, que envolvem a saúde, educação, condições de produzir. "O objetivo é achar soluções para esses problemas, diante da omissão do governo neste sentido", observou. A próxima reunião foi marcada para o dia 9 de dezembro, no mesmo local a partir das 14h.

REUNIÃO
Todos presentes na reunião defenderam um diálogo honesto para se chegar a uma solução, já que foi o primeiro encontro envolvendo todos os setores relacionados à demarcação. A representante indígena, Teodora de Souza, fez um desabafo lembrando que não foi apenas os índios prejudicados pela situação colocada pela Funai, o que provocou um clima de conflito entre seu povo e os produtores rurais. "Não vamos acabar com cidades, o que queremos é mais espaço para produzir e apoio para isso". Ela lembrou ainda as situações humilhantes pelos quais passam os indígenas, "que é um povo excluído, discriminado e desrespeitado".

Um dos representantes da Famasul, Josiel Quintino, criticou as invasões promovidas pelos indígenas em várias regiões do Estado e pela estrutura "bem organizada" em que elas são praticadas. Ele acusou o Cimi de dar apoio às invasões de terras. O represente do Cimi, por sua vez, afirmou que defende um diálogo para resolver a situação, mas que lamentava as "interpretações equivocadas" do assessor da Famasul.

O vereador Eduardo Marcondes avaliou que a reunião foi bastante satisfatória e que, apesar das acusações, o importante é que começou o diálogo. "O encontro foi um marco histórico, pois nunca a igreja tinha promovido um encontro com todos os setores envolvidos no problema", observou. O bispo Dom Redovino Rizzardo também avaliou a reunião como bastante positiva, já que os produtores rurais tiveram a iniciativa de começar um diálogo para resolver o impasse. (Douradosagora)

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