O consumidor Sul-mato-grossense sabe o quanto a carne tem pesado no orçamento doméstico. Nos últimos meses, praticamente todos os cortes subiram de preço. A explicação está no aumento das exportações. Resta saber se essas altas vão continuar.
O Índice de Preços do Consumidor (IPC), cálculo que mede a inflação, revelou que alguns cortes de carne subiram mais de 70% nos últimos doze meses em Campo Grande. Foi o caso da costela (+ 73,42%). Há um ano, o quilo da carne era vendido a R$ 3,65. Hoje, o consumidor paga, em média, R$ 6,33 pelo quilo da costela. O acém subiu mais de 66%. O quilo que há um ano custava R$ 5,61, hoje é vendido por R$ 9,35.
A disparada no preço da carne tem relação direta com o aumento repentino das exportações. Com a retomada do status de área livre de aftosa com vacinação, Mato Grosso do Sul voltou a vender carne para outros países. Nos primeiros oito meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, o volume exportado aumentou 765% e com menos carne aqui, no mercado interno, os preços subiram.
O coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp/Anhanguera, Celso Corrêa afirma que “o Brasil ta exportando toda a carne que pode, então a distribuição da carne aqui diminui. E nós temos que pagar preço mais caro. Tem pouca carne e todo mundo quer”, afirma.
O que todo o consumidor quer saber é se os preços da carne vão baixar nos próximos meses. Para o coordenador da pesquisa que mede a inflação de Campo Grande, sim. E a explicação estaria na crise financeira mundial. Sem crédito, os países importadores da nossa carne não teriam dinheiro para pagar o produto. “Eu penso que essa carne vai ter que ser redistribuída para o mercado interno ou exportada, mas a crise esta mundial, então eu penso que a tendência é baixar o preço da carne”, afirma Celso.
Outros cortes que registraram inflação acentuada nos últimos doze meses, em campo grande, foram a paleta, o músculo e o peito. (MS Record)


