Deurico Ramos/Capital News
Pequenos frigoríficos denunciam manobra para concentração industrial do setor de carnes no Estado por parte do JBS
Representantes de pequeno frigoríficos de Mato Grosso do Sul, denunciaram a existência de manobra para concentração industrial do setor de carnes no Estado. A denúncia foi feita, durante reunião na quarta-feira (1º), entre representantes do setor, na tentativa de encontrar uma solução para que os 23 frigoríficos que ainda estão em atividade não fechem as portas. A crise que afeta os pequenos frigoríficos de MS tem provocado um efeito cascata no número de demissões e preocupam trabalhadores, empresários, produtores, comércio e o poder público.
Participaram da reunião no Plenarinho da Assembleia Legislativa, o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Políticas Rural, Agrária e Pesqueira, deputado Marcio Fernandes (PTdoB), o presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio, deputado Paulo Corrêa (PR), e o deputado Renato Câmara (PMDB) e representantes da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidoras de Carnes do Estado de Mato Grosso do Sul (Assocarnes-MS).
De acordo com presidente da Assocarnes, João Alberto Dias, 15 unidades foram fechadas, podendo em breve, outros dois frigoríficos anunciarem o fim das atividades. As demissões já atingem 6.700 trabalhadores. “Alguns dados precisam ser apurados. Temos a impressão de que pode existir alguma manobra para concentração industrial e isso é extremamente ruim para a cadeia, para a economia e para o Estado. Se o produtor ficar na mão de um grande grupo econômico, não vai ter pra quem oferecer seus animais, não vai ter como negociar preço e essa empresa vai ditar o preço de mercado. Todos serão prejudicados”, afirma.
Divulgação/Assessoria
Representantes se reuniram para debater soluções e evitar que os 23 frigoríficos fechem as portas, devido ao monopólio.
Segundo assessoria do deputado Marcio Fernandes os representantes discutiram sobre as denúncias do fechamento de pequenos frigoríficos e o desemprego gerado com o as demissões. “Vamos analisar o que dá pra ser feito o mais rápido possível, já que hoje fechou mais um frigorífico no interior do Estado. São milhares de empregos e nós temos que tomar providências”, disse. O deputado Paulo Corrêa também falou sobre a apuração das denúncias. “Está havendo uma possível cartelização do setor por parte de uma indústria que estaria sufocando os pequenos empresários. Não interessa para o produtor rural do Mato Grosso do Sul ter um frigorífico só mandando no preço da carne do Estado”, destaca o deputado.
O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, demonstrou solidariedade à reivindicação dos frigoríficos e atribuiu parte da crise à atual situação econômica do país. “Houve uma retração em vários setores, não só no mercado de carnes. Indústrias estão fechando, lojas estão demitindo, concessionárias de automóveis estão vendendo menos. Toda a atividade comercial e empresarial no país foi afetada porque a sociedade se endividou e o consumo diminuiu. Ainda assim sou a favor das possibilidades. Temos que ter para quem vender. É a lei da oferta e procura. A via de mão única não é boa e o monopólio perigoso”, esclarece.
Para iniciar a apuração das denúncias foi solicitado durante a reunião ao representante da Secretaria de Fazenda do Estado (Sefaz), Eurípedes Ferreira Falcão, uma agenda com o secretário da Sefaz, Marcio Monteiro, para rever a política tributária estadual em relação ao setor. Em curto prazo, ficou definida uma audiência pública para o dia 10 de julho, às 8h na Assembleia Legislativa.
