Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as turbulências econômicas estão afetando a vida da população brasileira. Para 86% dos entrevistados, o Brasil está vivendo uma crise econômica e 66% consideram a situação ruim ou péssima.
Sentindo no bolso as consequências - 59% disseram ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses - as pessoas estão fazendo ajustes em suas vidas. O estudo mostra, por exemplo, que 16% das pessoas mudaram de residência para reduzir custos e 13% trocaram os filhos de escola privada para escola pública nos últimos 12 meses. O levantamento da CNI ouviu 2.002 pessoas, em 141 municípios, entre os dias 18 e 21 de junho.
Segundo a pesquisa, mais brasileiros estão ajustando seus hábitos do que na crise de 2008/2009. Mais da metade (57%) alterou hábitos de consumo ou planejamento financeiro. E outros 21% disseram que pretendem alterar. Na crise anterior, o maior percentual dos que ajustaram seus hábitos foi de 30% e no máximo 27% pretendiam alterar.
Três itens elevaram esse número desta pesquisa, um foi o desemprego que chegou um total de 44% das pessoas disse que alguém da família ficou desempregado nos últimos 12 meses. E 76% estão preocupados ou muito preocupados em ficar sem emprego ou ter que fechar o negócio nos próximos 12 meses. A renda e endividamento, seis em cada dez brasileiros disseram ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses. Os moradores das regiões Sudeste e Sul foram os que mais sentiram a perda 65% nos dois casos. Em seguida, aparecem as regiões Norte e Centro-Oeste (56%), e Nordeste (51%).
A inflação e o consumo também fazem parte desta pesquisa e as mulheres alteraram mais seus hábitos de consumo do que os homens. Enquanto 61% delas disseram ter mudado a rotina, 53% deles fizeram o mesmo. Elas estão poupando mais do que eles. Com medo das dificuldades futuras, 78% das mulheres garantiram que estão economizando mais, contra 72% dos homens.
"A crise de 2008/2009 afetou particularmente a indústria, mas o consumo doméstico ainda estava em crescimento e ajudou na recuperação. Já a crise atual atinge toda a economia e vem afetando o emprego e a renda da população bem mais significativamente”, afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.


