A 5ª edição do estudo “Futuro do Trabalho”, publicada pelo WEF (Fórum Econômico Mundial) em parceria com a Fundação Dom Cabral, analisou 55 economias e traçou as principais tendências do mercado de trabalho para o período de 2025 a 2030. O levantamento aponta que 39% das habilidades atuais devem ser transformadas até o fim da década e que 22% dos empregos formais passarão por criação ou substituição.
As mudanças são impulsionadas principalmente pela inteligência artificial, automação de processos e pela transição verde, fatores que vêm redefinindo não apenas os postos de trabalho, mas também as competências exigidas dos profissionais.
O estudo mostra que o perfil do trabalhador está mudando rapidamente. Habilidades tecnológicas, especialmente em inteligência artificial, Big Data e segurança cibernética, ganham protagonismo. Para 65% dos trabalhadores, a requalificação será essencial, enquanto 78% afirmam buscar treinamentos oferecidos pelas próprias empresas. Além disso, 70% dizem estar dispostos a estudar fora do horário de trabalho.
A flexibilidade também aparece como um dos aspectos mais valorizados: 76% preferem modelos remoto ou híbrido, e 63% dão prioridade a empresas com políticas claras de diversidade e inclusão. Em contrapartida, o aumento do custo de vida e a desaceleração econômica figuram entre as principais preocupações dos profissionais.
Até 2030, o mercado de trabalho deve ser impactado por avanços tecnológicos, fragmentação geoeconômica, incertezas econômicas, mudanças demográficas e pela transição para uma economia mais sustentável. A expansão do acesso digital, especialmente em IA, automação, robótica e energia, é considerada altamente transformadora. O crescimento da IA generativa amplia a demanda por novas competências, mas também levanta riscos de desemprego e desigualdade, caso não haja regulação adequada.
O relatório destaca ainda que tensões geoeconômicas podem comprometer cadeias globais de suprimentos, enquanto a transição verde impulsiona investimentos em sustentabilidade e a criação dos chamados “empregos verdes”. Mudanças demográficas, como o envelhecimento da população ativa em países ricos e o aumento de jovens no mercado de trabalho em países de baixa renda, também exigirão adaptação das ocupações.
Segundo a análise, essas transformações devem resultar na criação de 170 milhões de novos postos de trabalho, o equivalente a 14% do total atual. Ao mesmo tempo, cerca de 92 milhões de empregos devem ser substituídos, gerando um saldo positivo de 78 milhões de vagas até 2030, o que representa crescimento de 7%.
Entre as profissões em crescimento acelerado estão especialistas em Big Data, inteligência artificial e aprendizado de máquina, engenheiros de fintech, desenvolvedores de software, profissionais de segurança da informação, engenheiros ambientais, especialistas em energia renovável, veículos elétricos e autônomos, além de designers de interface e experiência do usuário (UI e UX).
Por outro lado, funções administrativas, operacionais e repetitivas aparecem entre as que mais devem perder espaço, como caixas bancários, operadores de entrada de dados, assistentes administrativos, secretárias, operadores de telemarketing, trabalhadores dos serviços postais e cargos ligados à impressão e contabilidade básica.
Para ocupar boas posições nesse novo cenário, o estudo destaca que habilidades como pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança e influência social serão cada vez mais valorizadas, ao lado das competências tecnológicas, especialmente em inteligência artificial e análise de dados.
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