Os preços dos alimentos tiveram alta acima da inflação geral nos cinco primeiros meses de 2026 e afetaram principalmente as famílias de menor renda, segundo análise do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Entre janeiro e maio, o IPCA acumulou aumento de 3,20%. No mesmo período, o grupo de alimentação e bebidas subiu 4,81%, enquanto os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 5,68% mais caros.
O levantamento aponta que a inflação para famílias de renda muito baixa chegou a 3,46% até maio, acima do índice registrado entre as famílias de renda muito alta, que ficou em 2,83%. A diferença mostra maior impacto dos preços para quem compromete uma parcela maior do orçamento com alimentação.
Segundo o Dieese, fatores como eventos climáticos extremos, aumento dos custos de fertilizantes, cenário internacional, exportações agropecuárias e concentração de mercado contribuíram para a pressão sobre os preços dos alimentos.
O boletim também avalia o papel da taxa de juros no controle da inflação. Para a entidade, a alta da Selic pode ter efeito limitado quando o aumento dos preços está ligado a problemas de produção, clima, logística ou custos internacionais.
Além da política de juros, o Dieese defende medidas como fortalecimento dos estoques públicos de alimentos, investimentos em infraestrutura, planejamento da produção e ações para ampliar a oferta.
O documento também analisa a PEC 65, que trata da autonomia administrativa, orçamentária e financeira do Banco Central. O texto apresenta argumentos favoráveis e contrários à proposta, cuja decisão final depende do Congresso Nacional.
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