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Agronegócio Segunda-feira, 08 de Junho de 2026, 16:02 - A | A

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Atenção

União Europeia confirma veto à importação de carnes e mel do Brasil

Decisão entra em vigor em setembro e exige comprovação mais rigorosa sobre uso de antimicrobianos na produção animal

Elaine Oliveira
Capital News

Arquivo/Fiems

Produção de carne bovina do estado alcançou 3,59 milhões de animais abatidos no ano passado

Produção de carne bovina do estado alcançou 3,59 milhões de animais abatidos no ano passado

A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, tripas, pescado e mel para os países do bloco. A medida foi publicada no Diário Oficial da União Europeia e passará a valer a partir de 3 de setembro.

A decisão havia sido anunciada preliminarmente há cerca de um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Com a publicação oficial, o veto torna-se definitivo, impactando importantes segmentos do agronegócio brasileiro.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que toda a cadeia produtiva dos produtos exportados atende às exigências sanitárias adotadas pelo bloco, especialmente em relação ao uso de medicamentos antimicrobianos para prevenção e tratamento de infecções em animais.

Embora o governo brasileiro tenha proibido, em abril deste ano, parte das substâncias utilizadas para estimular o crescimento animal, os europeus avaliaram que ainda são necessárias comprovações adicionais de controle, fiscalização e rastreabilidade.

As restrições estão relacionadas à política europeia de saúde pública conhecida como One Health, criada para reduzir o uso excessivo de antibióticos e combater a resistência antimicrobiana. Entre as substâncias monitoradas estão virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A decisão tem caráter regulatório e não está relacionada à identificação de contaminação nos produtos brasileiros. O principal ponto levantado pela União Europeia envolve a capacidade de comprovar, por meio de documentação e sistemas de rastreabilidade, que os produtos exportados seguem integralmente as regras sanitárias do bloco.

Para voltar a exportar os produtos afetados, o Brasil precisará demonstrar que atende às exigências europeias durante todo o ciclo produtivo. Entre as alternativas estão o endurecimento das restrições ao uso de determinados medicamentos ou a implantação de sistemas ainda mais rigorosos de rastreabilidade e certificação sanitária.

A União Europeia figura entre os principais mercados para as proteínas animais brasileiras, especialmente para a carne bovina, que possui elevado valor agregado nas exportações destinadas ao bloco.

Setor produtivo defende sistema sanitário brasileiro

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reiterou que o Brasil possui um dos sistemas de inspeção agropecuária mais robustos do mundo e que a carne bovina nacional atende às exigências sanitárias de mais de 170 países.

Segundo a entidade, o setor privado trabalha em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para desenvolver protocolos capazes de atender às novas exigências europeias e ampliar o diálogo técnico com as autoridades do bloco.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que acompanha a formalização da medida e demonstrou confiança na capacidade das autoridades brasileiras de comprovar a eficiência dos sistemas de controle sanitário adotados no país.

Em nota, a entidade ressaltou que a decisão europeia não decorre de problemas sanitários identificados nos produtos brasileiros nem de irregularidades relacionadas ao uso de antimicrobianos, mas sim de questionamentos sobre os mecanismos oficiais de fiscalização e controle reconhecidos pela União Europeia.

A ABPA também defendeu que as normas sanitárias internacionais sejam fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas globalmente e nos princípios estabelecidos por organismos internacionais ligados à saúde animal, segurança dos alimentos e comércio mundial.

O tema deve continuar sendo discutido entre autoridades brasileiras e europeias nos próximos meses, enquanto o setor busca alternativas para adequar os protocolos exigidos pelo mercado europeu.

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