O mercado internacional de milho ganhou um novo fator de sustentação após a divulgação do relatório WASDE de agosto, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento reduziu as projeções de produtividade, estoques finais e, no caso brasileiro, também apontou queda nos estoques previstos para a próxima temporada.
Nos Estados Unidos, a produtividade do milho para a safra 2026/27 foi revisada de 183 para 180,7 sacas por acre entre julho e agosto. Já os estoques finais recuaram de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels. A estimativa de exportações, por outro lado, subiu de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels.
No cenário mundial, o estoque final projetado para o milho caiu de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão de estoques finais foi reduzida de 11,10 milhões para 10,10 milhões de toneladas na safra 2026/27.
Oferta menor em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o cenário externo se soma à expectativa de uma produção menor na segunda safra 2025/26. Segundo a Aprosoja/MS e o Projeto SIGA-MS, a área cultivada chegou a 2,206 milhões de hectares, aumento de 3% em relação ao ciclo anterior.
Apesar da expansão da área, a produtividade média é estimada em 84,2 sacas por hectare, queda de 22,4%. Com isso, a produção projetada é de 11,139 milhões de toneladas, redução de 20,1% na comparação com a safra anterior.
A colheita também avança mais lentamente. No levantamento de 11 de agosto, metade da área monitorada já havia sido colhida, ritmo 6,4 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Chuvas irregulares, ventos fortes e ocorrências pontuais de granizo permanecem entre os fatores de atenção para o encerramento da safra.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a combinação entre o cenário internacional e a menor oferta estadual pode favorecer a sustentação das cotações.
“O que temos neste momento é uma combinação de fatores que tende a dar sustentação ao mercado do milho. De um lado, o USDA reduziu os estoques projetados nos Estados Unidos e no mercado mundial. Do outro, Mato Grosso do Sul deve colher uma safra menor, enquanto a colheita ainda está em andamento”, avalia.
Outro ponto de atenção é o crescimento da indústria de etanol de milho, que amplia a disputa pela matéria-prima com o mercado externo. O Estado também enfrenta um déficit estrutural de armazenagem, fator que pode influenciar as estratégias de comercialização.
Soja segue em cenário mais equilibrado
Enquanto o milho apresenta maior sustentação, a soja mantém um cenário mais equilibrado. O USDA manteve a projeção de 186 milhões de toneladas para a produção brasileira na safra 2026/27 e de 118 milhões de toneladas para as exportações.
Em Mato Grosso do Sul, a safra 2025/26 terminou com 16,744 milhões de toneladas, crescimento de 19,1% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média alcançou 60,40 sacas por hectare, alta de 16,6%.
Segundo a análise da Aprosoja/MS, sem uma mudança significativa na oferta internacional, brasileira ou estadual, o comportamento dos preços da soja no curto prazo deve depender principalmente de fatores como câmbio, frete e ritmo das exportações, especialmente para a China.
O próximo relatório WASDE está previsto para 11 de setembro, enquanto o Projeto SIGA-MS deve atualizar nas próximas semanas os dados sobre o avanço e o encerramento da segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul.
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