Campo Grande 00:00:00 Domingo, 28 de Junho de 2026


Agronegócio Domingo, 28 de Junho de 2026, 09:02 - A | A

Domingo, 28 de Junho de 2026, 09h:02 - A | A

Sojicultura

Mato Grosso do Sul vê na agroindustrialização da soja caminho para reduzir dependência de exportação de grão in natura

Estudo da Aprosoja/MS aponta déficit de armazenagem e alta exportação como fatores que reforçam necessidade de ampliar esmagamento no Estado

Elaine Oliveira
Capital News

A combinação entre alta produção de grãos, déficit estrutural de armazenagem e forte exportação de soja in natura reforça o potencial de Mato Grosso do Sul para avançar na agroindustrialização. A avaliação é de um estudo da Aprosoja/MS, que aponta a expansão do parque de esmagamento como alternativa para agregar valor à produção e reduzir gargalos logísticos.

Em 2025, o Estado produziu cerca de 14,06 milhões de toneladas de soja, das quais aproximadamente 6,1 milhões — cerca de 43% — foram exportadas sem processamento. O dado evidencia, segundo o levantamento, espaço relevante para ampliar a industrialização dentro do território sul-mato-grossense.

O estudo também destaca o déficit de armazenagem como um dos principais desafios da cadeia produtiva. A capacidade estática atual é de 15,59 milhões de toneladas, enquanto a soma da produção de soja e milho ultrapassa esse volume em cerca de 12,4 milhões de toneladas, pressionando o sistema logístico.

Nesse cenário, parte dos produtores é obrigada a acelerar a comercialização dos grãos, reduzindo a capacidade de retenção da safra e ampliando custos de escoamento. Para a Aprosoja/MS, a ampliação da capacidade de esmagamento pode ajudar a aliviar esse gargalo ao criar novos canais de absorção da produção.

Segundo o analista de Economia da entidade, Linneu Borges Filho, o fortalecimento da agroindústria permite que mais valor permaneça no Estado. “A instalação de novas indústrias amplia a demanda regional por grãos, fortalece os elos da cadeia produtiva e reduz a dependência das oscilações do mercado internacional”, afirmou.

O estudo aponta ainda que Mato Grosso do Sul já conta com unidades esmagadoras em cidades como Dourados, Campo Grande, Três Lagoas, Caarapó e Sidrolândia, além de uma planta em construção em Naviraí. A maior concentração dessas estruturas está na região sul, principal polo produtor de soja.

Além do impacto na armazenagem e na logística, a agroindustrialização é vista como resposta ao crescimento da demanda por derivados da soja. O avanço da produção de proteína animal sustenta o consumo de farelo, enquanto a política de ampliação da mistura de biodiesel mantém a demanda por óleo em expansão.

Para a Aprosoja/MS, a convergência entre oferta de matéria-prima, demanda industrial e localização estratégica coloca o Estado em posição favorável para ampliar sua participação na agroindústria nacional, reduzindo a dependência da exportação de commodities e fortalecendo a economia regional.

• • • • • 
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.

• • • • • 
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado. 

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS