Mato Grosso do Sul produz cada vez mais soja e milho, mas a estrutura de armazenagem não acompanha o avanço das lavouras. O Estado tem capacidade para armazenar 17,19 milhões de toneladas, enquanto a necessidade estimada chega a 29,22 milhões, um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas.
Os dados são do painel de armazenagem da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), atualizado nesta segunda-feira (28) com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e levantamentos de campo.
O déficit está presente em 71 dos 78 municípios produtores analisados, o equivalente a 91% do total. A conta considera a média das últimas cinco safras de soja e milho.
Na temporada 2025/2026, a produção dos dois grãos em Mato Grosso do Sul é estimada em 27,9 milhões de toneladas. A capacidade instalada está distribuída entre 799 complexos armazenadores em 65 municípios.
Concentração da estrutura
Ponta Porã e Maracaju estão entre os municípios que mais enfrentam o descompasso entre produção e armazenagem. Juntos, acumulam um déficit de aproximadamente 2,43 milhões de toneladas.
Dourados apresenta a maior capacidade de armazenagem do Estado, com cerca de 2,42 milhões de toneladas, e está entre os sete municípios que possuem estrutura superior à necessidade calculada.
Também apresentam saldo positivo Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia e Três Lagoas.
Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste concentram 49,9% de toda a capacidade instalada de Mato Grosso do Sul, embora respondam por 37,6% da produção considerada no levantamento.
Dependência das rodovias
A localização dos armazéns também mostra a forte dependência do transporte rodoviário. Cerca de 41% da capacidade estadual está em unidades situadas a até 30 quilômetros da BR-163.
Quando são consideradas todas as rodovias federais, essa participação chega a 88,6%.
Já a proximidade com ferrovias e hidrovias é menor. Apesar de Mato Grosso do Sul possuir 1.581 quilômetros de malha ferroviária, apenas 378 quilômetros têm circulação regular.
Somente 7,9% da capacidade de armazenagem está próxima da Malha Norte, única com operação regular, enquanto 3,9% fica a até 30 quilômetros dos corredores hidroviários analisados.
O levantamento também mostra que o problema acompanha o crescimento da produção há mais de uma década. Em 2023, ano de maior produção da série analisada, a necessidade de armazenagem chegou a 35,07 milhões de toneladas, enquanto o déficit alcançou 21,53 milhões de toneladas, a maior diferença registrada no período.
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