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Agronegócio Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 09:20 - A | A

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Expectativa

Mandioca entra em fase de ajuste em 2026

Redução de área e produção deve diminuir oscilações de preços e trazer novos desafios na relação entre produtores e indústria

Elaine OIiveira
Capital News

Divulgação

Mandioca

Mandioca

Após dois anos de forte expansão da área cultivada com mandioca no Brasil, especialmente nos estados com maior concentração de indústrias processadoras, o setor deve passar por um período de ajuste em 2026. Pesquisadores do Cepea avaliam que o avanço da colheita de raízes de primeiro ciclo observado em alguns momentos de 2025, somado à expectativa de menor produtividade, tende a alinhar melhor a oferta de matéria-prima à demanda industrial.

Esse novo cenário deve resultar em menor volatilidade dos preços ao longo de 2026. Estimativas preliminares do IBGE indicam que a produção brasileira de mandioca deve alcançar cerca de 20 milhões de toneladas no próximo ano, queda de 2,5% em relação a 2025. A retração reflete reduções de 1,7% na área a ser colhida, estimada em 1,26 milhão de hectares, e de 0,8% na produtividade média nacional, projetada em 15,7 toneladas por hectare.

Pesquisadores do Cepea destacam que, a partir de 2026, a relação entre produtores e fecularias tende a passar por ajustes mais relevantes. Um número crescente de indústrias deve exigir que a colheita seja realizada exclusivamente com mão de obra formalizada, o que implica aumento de custos para os produtores. Parte desse impacto pode ser compensada por bonificações no preço pago pela raiz, mas a adesão ao novo modelo ainda é restrita, o que pode gerar tensões adicionais na comercialização.

Nos últimos anos, a rentabilidade da mandiocultura vem sendo pressionada pelo aumento dos custos de produção. Além disso, pesquisadores do Cepea apontam que juros elevados e maior restrição ao crédito tendem a afetar negativamente a atividade, reduzindo investimentos em tecnologia e manejo. Esse cenário pode trazer reflexos sobre a produtividade e, no médio prazo, sobre a própria área cultivada.

Para 2026, as avaliações preliminares indicam condições climáticas mais equilibradas, sem influência direta de fenômenos como El Niño ou La Niña, fator que pode contribuir para maior previsibilidade ao setor, mesmo em um contexto de ajustes produtivos e econômicos.

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