Com o plantio da safra de soja 2026/2027 em andamento em Mato Grosso do Sul, o mercado de fertilizantes acende um alerta para os produtores rurais. A redução no volume importado pelo Brasil, acompanhada do aumento dos gastos com a compra dos insumos, pode pressionar os custos de produção e reduzir a margem de lucro no campo.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar da queda nas compras, o desembolso chegou a US$ 8,8 bilhões, alta de 8% na comparação anual.
“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Dependência externa aumenta a exposição do produtor
O Brasil depende das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, foram 45,48 milhões de toneladas, crescimento de 2,8% em relação ao ano anterior.
O cenário de 2026, porém, é marcado por fatores que aumentam a pressão sobre a oferta internacional. O início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas comerciais, enquanto a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém reflexos sobre o mercado global de fertilizantes.
Segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo Brasil estava 13,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 24,1%.
“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”.
Nitrogênio e potássio estão entre os pontos de atenção
A vulnerabilidade brasileira aparece nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio. Entre eles, o nitrogênio registrou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.
No mercado de potássio, a concentração dos fornecedores também representa um fator de preocupação. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.
A dependência é reforçada pela baixa participação nacional na produção mundial do nutriente. O Brasil responde por menos de 1% da produção global de potássio, o que torna o abastecimento interno dependente das condições do mercado externo.
Diversificação de fornecedores é alternativa
Diante da concentração da oferta internacional, a busca por fornecedores alternativos aparece como uma das estratégias para reduzir a exposição brasileira às oscilações de preços e à disponibilidade de fertilizantes.
Levantamento da Aprosoja/MS aponta que China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de fertilizantes nitrogenados, mas têm participação reduzida nas importações brasileiras. A situação indica a existência de possíveis alternativas para ampliar as origens de fornecimento.
A diversificação, no entanto, depende de outros fatores além da capacidade de produção. É necessário avaliar o excedente disponível em cada país, a demanda interna, a capacidade de exportação, os preços praticados e os custos logísticos.
Essas condições são determinantes para verificar se novos fornecedores podem oferecer alternativas competitivas ao mercado brasileiro e contribuir para reduzir a vulnerabilidade do setor agrícola às oscilações internacionais.
Para os produtores de Mato Grosso do Sul, o comportamento do mercado de fertilizantes segue como um fator importante no planejamento da safra 2026/2027, especialmente diante dos possíveis reflexos dos insumos sobre os custos e a rentabilidade da produção de soja.
Capital News
Siga o Capital News no Google News e acompanhe nossas notícias por lá também.
Siga o Capital News
Receba as principais notícias de Campo Grande e do MS nas redes sociais, onde você estiver.
Viu algo? Conte para a gente
Envie sugestões, fotos, vídeos e reclamações pelo Reportar News e ajude a melhorar a sua cidade e o seu estado.


![Origem | Dengue | PI 3342 [728]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/7b3ed3ba448e396e72600c7212d06ab6-capitalnews-com-br.gif)
![Origem | Dengue | PI 3342 [300]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/369f49c0cfaf848f645163db4bfafab5-capitalnews-com-br.gif)