Campo Grande 00:00:00 Quarta-feira, 22 de Julho de 2026


Agronegócio Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 14:45 - A | A

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 14h:45 - A | A

Crescimento

Exportação de DDG pode impactar mercado em Mato Grosso do Sul

Abertura da China cria nova oportunidade para a indústria e desafia cadeia de proteínas no Estado

Elaine Oliveira
Capital News

Divulgação/AprosojaMS

Exportação de DDG pode impactar mercado em Mato Grosso do Sul

Exportação de DDG pode impactar mercado em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul pode sentir diretamente os efeitos da abertura do mercado da China para o DDG (Distillers Dried Grains), após o Brasil realizar o primeiro embarque do coproduto. O Estado, que tem forte processamento de milho para produção de etanol, está entre os que podem ter alteração na dinâmica de preços e na oferta interna.

O DDG é resultado do processamento do milho para etanol. Durante o processo, proteínas, fibras e minerais permanecem concentrados, formando um insumo de alto valor nutricional utilizado principalmente na produção de ração para bovinos, suínos e aves. Em média, cada tonelada de milho processada gera entre 300 e 330 quilos do coproduto, cerca de 30% do volume original.

De acordo com o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, o volume produzido em Mato Grosso do Sul é significativo. “No último ano, o Estado processou aproximadamente 4,6 milhões de toneladas de milho para etanol, o que resultou em uma produção estimada de cerca de 1,4 milhão de toneladas de DDG. Esse volume é absorvido majoritariamente pela cadeia de proteínas animais como insumo estratégico na formulação de ração”, destaca.

Com a habilitação chinesa, o produto deixa de depender exclusivamente da demanda interna. “Quando um produto passa a ter acesso ao mercado internacional, ele deixa de depender exclusivamente da demanda interna. O preço doméstico tende a se alinhar à chamada ‘paridade de exportação’, ou seja, ao valor internacional descontados os custos logísticos e cambiais. Se exportar se mostrar mais vantajoso, parte da produção pode ser direcionada ao exterior, reduzindo a oferta interna e sustentando as cotações no mercado doméstico. Por outro lado, se a demanda da cadeia de carnes estiver aquecida e pagar preços competitivos, pode compensar manter o produto no mercado interno, especialmente considerando menores custos logísticos”.

No curto prazo, a nova demanda externa pode ampliar a concorrência pelo DDG produzido no Estado. Caso as exportações apresentem maior rentabilidade, parte da produção pode ser destinada ao exterior, reduzindo a oferta interna e elevando o custo da ração, com reflexos nas margens da cadeia de carnes.

Por outro lado, a exportação também cria um novo canal de escoamento para a indústria de etanol de milho, reduzindo riscos de excedentes e ampliando a previsibilidade de receita. “Do ponto de vista da indústria de etanol de milho, a exportação cria um novo canal de escoamento, reduz riscos de excedentes e amplia a previsibilidade de receita. Esse cenário tende a estimular investimentos e sustentar a demanda por milho, beneficiando diretamente o produtor rural.”

Para Mato Grosso do Sul, o desafio será equilibrar a nova oportunidade de exportação com a competitividade da cadeia de proteínas animais, garantindo crescimento sustentável e integrado entre as cadeias produtivas. “A entrada da China como compradora de DDG representa, portanto, uma oportunidade estratégica, mas que exigirá monitoramento constante para que o crescimento seja sustentável e integrado entre as cadeias produtivas”.

• • • • • 
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.

• • • • • 
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado. 

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS