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Agronegócio Sexta-feira, 22 de Novembro de 2024, 18:01 - A | A

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Transição Energética

Etanol de milho e biometano ganham destaque na transição energética no Brasil

O agronegócio e a indústria automotiva devem se beneficiar do crescimento do mercado de biocombustíveis

Viviane Freitas
Capital News

Mairinco de Pauda, Semadesc

Usina de etanol de milho em Maracaju reforça matriz de energia renovável de Mato Grosso do Sul

Usina de etanol de milho em Maracaju reforça matriz de energia renovável de Mato Grosso do Sul

A Trígono Capital prevê que o etanol de milho e o biometano terão um papel de destaque no mercado de transição energética nos próximos anos. Segundo o analista de renda variável da gestora, Pedro Resende, a produção do etanol de milho será a principal fonte de crescimento, superando a produção a partir da cana-de-açúcar. Ele destaca que o Capex (investimento em capital) para a construção de plantas de etanol de milho é mais baixo do que para o etanol de cana, o que deve incentivar novos investimentos no setor.

O agronegócio e a indústria automotiva devem se beneficiar do crescimento do mercado de biocombustíveis, com a indústria automobilística já anunciando investimentos de cerca de R$ 130 bilhões devido ao programa Mover. Além de expandir a produção de etanol de milho, o pacote de medidas deve fortalecer os biocombustíveis já consolidados, como etanol e biodiesel, incentivando a adoção desses combustíveis mais sustentáveis.

Outro biocombustível com grande potencial é o biometano, que pode se tornar um protagonista nos próximos anos, trazendo benefícios ambientais e redução de custos. O biometano é produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como lixo urbano e dejetos de animais, gerando biogás rico em metano. De acordo com a Abiogás, o Brasil tem o potencial de substituir até 70% do diesel consumido no país por biometano, aproveitando a vasta quantidade de resíduos gerados pelo agronegócio.

Um exemplo desse potencial é o investimento da São Martinho, que está aplicando R$ 250 milhões na produção de biometano a partir da biodigestão da vinhaça em sua unidade Santa Cruz. A produção de 15 milhões de metros cúbicos de biometano por safra pode evitar a emissão de 32 mil toneladas de gases de efeito estufa, o equivalente a 91 mil viagens de caminhão entre São Paulo e Rio de Janeiro. Este tipo de investimento reflete o crescente interesse no biometano como uma alternativa viável e sustentável aos combustíveis fósseis.

O Brasil, com sua matriz energética predominantemente renovável, tem uma vantagem na descarbonização global. O país é responsável por apenas 1,21% das emissões de gases de efeito estufa do mundo, o que o coloca em uma posição favorável, especialmente em comparação com nações como China e Estados Unidos. No entanto, a transição energética e o fortalecimento do mercado de biocombustíveis são fundamentais para manter o Brasil em uma trajetória sustentável, especialmente em um cenário de crescente demanda por energia limpa.

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