Campo Grande 00:00:00 Sábado, 23 de Maio de 2026


Agronegócio Segunda-feira, 09 de Março de 2026, 09:24 - A | A

Segunda-feira, 09 de Março de 2026, 09h:24 - A | A

Mato Grosso do Sul

Estudo comprova que agricultura regenerativa reduz pragas na soja

Pesquisa no Cerrado mostra aumento de predadores naturais e menor dependência de inseticidas

Elaine Oliveira
Capital News

A agricultura regenerativa tem se consolidado como alternativa técnica e economicamente viável para o manejo de pragas em lavouras comerciais de soja no Brasil. Estudo conduzido pelo projeto Regenera Cerrado comprovou que o uso de bioinsumos e de produtos de menor impacto ambiental favorece a presença de predadores naturais, fortalecendo o controle biológico nas áreas cultivadas.

A pesquisa foi realizada em 19 propriedades no sudoeste de Goiás e publicada na plataforma internacional ScienceDirect, marcando o primeiro artigo científico do projeto em revista internacional de alto impacto.

Entre os organismos beneficiados pelas práticas regenerativas estão as tesourinhas (Dermaptera), insetos predadores generalistas que se alimentam de lagartas, tripes, mosca-branca e cigarrinhas — pragas comuns em lavouras de soja e milho.

Menos química, mesmo rendimento

Segundo o estudo, sistemas conduzidos com práticas regenerativas reduzem a dependência de inseticidas de amplo espectro sem comprometer a produtividade. Áreas com maior presença de tesourinhas registraram redução significativa de lagartas e tripes, pragas que afetam a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas.

Para a pesquisadora Eliana Fontes, coordenadora técnico-científica do projeto e coautora do artigo, os resultados ajudam a quebrar paradigmas no campo. “A demonstração de que o uso de bioinsumos aumenta significativamente a abundância de inimigos naturais é uma prova concreta da viabilidade da agricultura regenerativa em sistemas comerciais. Esses predadores passam a atuar de forma contínua no controle de pragas, reduzindo a dependência de intervenções químicas e fortalecendo a resiliência do sistema produtivo”, afirma.

O levantamento também identificou que o uso de herbicidas com maior risco ambiental tende a reduzir a presença de inimigos naturais e aumentar a incidência de pragas — fenômeno conhecido como “paradoxo dos pesticidas”.

Ciência aplicada no campo

O projeto é uma iniciativa do Instituto Fórum do Futuro, com coordenação técnico-científica da Embrapa, patrocínio da Cargill e execução operacional do Instituto BioSistêmico em 10 fazendas da região de Rio Verde (GO).

Além da substituição de insumos, o estudo destaca fatores ecológicos determinantes para o sucesso do modelo, como a cobertura permanente do solo, manutenção de palhada e menor revolvimento da terra, criando microclimas favoráveis à permanência de inimigos naturais durante todo o ciclo da cultura.

Para Priscila Callegari, diretora de Agricultura e Meio Ambiente do IBS, a integração entre pesquisa e prática é essencial. “Quando mostramos que é possível aumentar a biodiversidade funcional sem perda de produtividade e, muitas vezes, com redução de custos, quebramos resistências técnicas e aceleramos a adoção de práticas regenerativas”, afirma.

O resultado reforça que sustentabilidade e rentabilidade podem caminhar juntas no agronegócio brasileiro, com base em evidências científicas e aplicação em larga escala.

• • • • • 
• Junte-se à comunidade Capital News!
Acompanhe também nas redes sociais e receba as principais notícias do MS onde estiver.

• • • • • 
• Participe do jornalismo cidadão do Capital News!
Pelo Reportar News, você pode enviar sugestões, fotos, vídeos e reclamações que ajudem a melhorar nossa cidade e nosso estado. 

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS