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Agronegócio Sábado, 07 de Março de 2026, 11:15 - A | A

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Economia

Com avanço da agroindústria, Mato Grosso do Sul se destaca no cenário industrial do país

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam crescimento de 179% no valor da transformação industrial em uma década.

João Gabriel Vilalba
Capital News

Buscando se consolidar no crescimento industrial do país, Mato Grosso do Sul vem ganhando espaço na economia nacional. Nos últimos dez anos, o Estado passou por uma transformação estrutural inédita. De uma economia baseada quase exclusivamente na agropecuária, Mato Grosso do Sul passou a ocupar posição de destaque nacional na agroindústria e na indústria de transformação. Atualmente, o Estado lidera o crescimento da indústria de transformação no Brasil.

Segundo dados do IBGE, em uma década, o valor da transformação industrial (VTI) cresceu nominalmente 179% — a maior variação entre todos os estados brasileiros —, saltando de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões no período. O VTI é um indicador que mede a riqueza gerada pelo processo produtivo, calculado a partir da diferença entre o valor da produção e o custo dos insumos consumidos.

Álvaro Rezende/Semadesc

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Jaime Verruck

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o desempenho está diretamente associado à estratégia adotada pelo Governo do Estado de apostar no fortalecimento da agroindústria e na incorporação da agenda verde como eixo estruturante do desenvolvimento, combinando crescimento econômico, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e atração de novos investimentos.

O Estado também se consolida como um dos protagonistas nacionais na transição energética e na agenda verde, com destaque para a produção de bioenergia.

Atualmente, Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção de etanol, é o quinto maior produtor de açúcar e o segundo na produção de etanol de milho.

“O desempenho coloca o setor como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento econômico sul-mato-grossense”, avalia Verruck.

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 22 usinas em operação, sendo três de etanol de milho, além de outras três novas plantas em implantação. Com a força voltada ao agronegócio, o Estado mantém diálogo permanente com o setor produtivo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e da Biosul, para garantir um ambiente de negócios competitivo e sustentável.

O Estado também tem o compromisso de se tornar território carbono neutro até 2030. No setor sucroenergético, já conta com uma plataforma própria de monitoramento de emissões e remoções de gases de efeito estufa, denominada Carbon Control.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, afirmou que o desempenho recente de Mato Grosso do Sul está diretamente ligado à construção de um ambiente favorável aos investimentos e à atuação integrada das entidades do setor produtivo.

“Estamos construindo há muito tempo esse ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul. Não só a Federação das Indústrias, mas a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul e o Sistema S como um todo, fazendo com que o investimento privado chegue aqui e seja bem acompanhado. É muito difícil hoje implantar uma empresa em qualquer lugar do Brasil. Essa diferença de Mato Grosso do Sul, muitas vezes, não é entendida por outros estados: o motivo de sermos tão ágeis. Hoje, temos cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em várias áreas. Isso é muito bem planejado. A implantação de uma empresa passa, primeiro, pela demanda empresarial. O empresário visita o Estado, procura conhecer os problemas que pode ter, como logística, mão de obra e energia. É uma série de ações construídas antes de ele finalizar a decisão de implantar a empresa em Mato Grosso do Sul”, afirmou o dirigente.

Ainda de acordo com Longen, esse ambiente tem feito a diferença e os números confirmam esse movimento.

“Mato Grosso do Sul cresce a dois dígitos, deixando, muitas vezes, até a China para trás”, disse o presidente.

Ao comentar a mudança estrutural da economia estadual, Longen ressaltou o avanço da industrialização e da diversificação produtiva.

“Antigamente, o Estado produzia basicamente grãos. Depois começamos a industrializar, com o álcool. Veio o etanol, depois o etanol de milho, depois o açúcar, depois a energia de biomassa. Agora são os biocombustíveis, é a neoindustrialização. Temos a evolução do etanol de milho e também de outros produtos, como o sorgo, que já está em pauta. Também avançamos na proteína. Somos grandes produtores de carne bovina, suína, de aves e de peixe. O Estado evoluiu muito. Mato Grosso do Sul se tornou um grande produtor de amendoim, fruto da rotação de cultura da cana e de muitos anos de pesquisa. Temos o melhor amendoim do Brasil”, destacou.

Na avaliação do dirigente, a política de agregação de valor à produção local tem sido decisiva para atrair novos empreendimentos e consolidar o Estado como polo da indústria do agro.

“O que chamamos hoje de indústria do agro é justamente transformar aquilo que Mato Grosso do Sul produz. Um exemplo é o etanol de milho com o DDG, subproduto da produção que hoje já é exportado, com valor agregado muito elevado. Essa transformação daquilo que produzimos no Estado tem sido prioridade para o setor privado, para o governo estadual e também para os municípios. Essa transformação tem um objetivo muito claro. Os pilares estão bem definidos e vêm sendo perseguidos para que o Estado continue nesse caminho. Esse esforço fez de Mato Grosso do Sul a bola da vez”, avaliou.

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