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Agronegócio Sábado, 10 de Janeiro de 2026, 07:02 - A | A

Sábado, 10 de Janeiro de 2026, 07h:02 - A | A

Avanço

Citricultura ganha força e projeta novo ciclo econômico em Mato Grosso do Sul

Com R$ 2,4 bilhões em investimentos, Estado acelera plantio de laranja e mira 50 mil hectares até 2030

Elaine Oliveria
Capital News

Mato Grosso do Sul avança de forma acelerada na citricultura e consolida a atividade como uma das principais apostas do agronegócio estadual para diversificação econômica, geração de renda e atração de novos empreendimentos. O setor já soma investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos prospectados em diferentes regiões do Estado.

Atualmente, mais de 7 milhões de mudas de laranja já foram implantadas, com meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de maneira significativa a participação sul-mato-grossense na produção nacional. Embora ainda distante do topo do ranking — liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção brasileira — o Estado vive um processo consistente de expansão, sustentado por disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica.

Nos últimos anos, grandes grupos citrícolas nacionais passaram a direcionar investimentos robustos para Mato Grosso do Sul. Um dos principais exemplos é a Cutrale, que já possui grande parte dos seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e projeta atingir até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares estiverem em plena produção.

Além da Cutrale, empresas como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas, além de produtores independentes, vêm ampliando a presença no Estado, apostando na diversificação produtiva e no potencial da citricultura sul-mato-grossense.

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da atividade é resultado de uma estratégia estruturada. “A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação de profissionais e parceria com instituições como o Fundecitrus”, destacou.

Segundo Verruck, esse conjunto de ações tem garantido confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável. O fortalecimento da cadeia produtiva conta ainda com apoio técnico da Semadesc, ampliação da defesa agropecuária e atuação integrada com municípios e o setor produtivo para assegurar sanidade e produtividade aos pomares.

O potencial do Estado também é reconhecido pelos investidores. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, Eduardo Sgobi, afirma que a qualidade do solo e o modelo adotado pelo governo são diferenciais. “Considero essa iniciativa governamental singular. Não conheço outra unidade da federação que esteja implementando algo semelhante. A qualidade do solo é impressionante”, afirmou.

A empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, que iniciou o plantio em abril de 2024, também destaca o ambiente favorável. “Estamos muito motivados com os investimentos em Mato Grosso do Sul. O Estado tem colaborado de forma decisiva para que os projetos sejam construídos com solidez desde o início”, explicou.

Ela ressalta ainda o foco na formação de mão de obra. “Estamos treinando pessoas do zero, inclusive trabalhadores que nunca atuaram na agropecuária. Temos muitas mulheres interessadas e já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

O cenário aponta uma tendência clara de crescimento. Mesmo fora do topo da produção nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do país nos próximos anos.

“A citricultura já engrenou em MS. Para os próximos dois a três anos, o Estado vai intensificar ações de sanidade, com tolerância zero ao greening, retenção de mão de obra indígena e redução do ICMS da saída da laranja, hoje em 2%”, ressaltou Verruck.

O secretário lembrou ainda que praticamente 100% da cultura no Estado é irrigada. “Por isso, as linhas do FCO continuarão disponíveis para investimentos, principalmente em irrigação. Tudo isso para que, futuramente, ao alcançar pelo menos 25 mil hectares em produção, possamos trazer a tão sonhada industrialização”, concluiu.

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