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Agronegócio Quarta-feira, 08 de Abril de 2026, 09:51 - A | A

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Mato Grosso do Sul

Cigarrinha do milho causa prejuízo bilionário no Brasil

Praga já provocou perdas de mais de R$ 134 bilhões e ameaça produção nacional

Elaine Oliveira
Capital News

Considerada o maior desafio sanitário do milho no país, a cigarrinha-do-milho tem causado prejuízos bilionários aos produtores brasileiros. Estimativas apontam perdas anuais de US$ 6,5 bilhões — cerca de R$ 33,6 bilhões — impactando diretamente a produtividade e a renda no campo.

De acordo com estudo da Embrapa, nas safras entre 2020 e 2024 os danos acumulados chegaram a US$ 25,8 bilhões (mais de R$ 134 bilhões). O impacto representa uma perda média de 22,7% na produção, equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas por ano.

Além da queda na produtividade, os custos de controle da praga também aumentaram. A aplicação de inseticidas contra o inseto, cujo nome científico é Dalbulus maidis, subiu 19% no período, ultrapassando US$ 9 por hectare.

O levantamento, publicado na revista científica Crop Protection, contou com dados da Conab e participação de instituições como a Epagri e a CNA.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Charles Oliveira, em cerca de 80% das regiões analisadas a praga foi apontada como principal causa da queda na produtividade.

Como a praga atua

A cigarrinha transmite bactérias que provocam o chamado enfezamento do milho, doença que compromete o desenvolvimento da planta. A infecção altera a coloração, provoca estrias e reduz significativamente a formação de grãos — podendo levar até à perda total da lavoura.

Apesar de conhecida desde a década de 1970, a praga passou a causar surtos mais intensos a partir de 2015. Entre os fatores estão mudanças no sistema produtivo, como a expansão da safrinha e o cultivo contínuo de milho ao longo do ano, criando condições ideais para a proliferação do inseto.

Impacto na economia

O problema afeta diretamente um dos pilares do agronegócio nacional. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, com estimativa de 138,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026.

Além de prejudicar o produtor, as perdas impactam toda a cadeia produtiva, já que o milho é base para a produção de proteínas animais e biocombustíveis. Com menor oferta, há reflexos nos preços ao consumidor e na balança comercial.

Desafio sem solução definitiva

Atualmente, não existe tratamento preventivo totalmente eficaz contra o enfezamento. Por isso, especialistas recomendam estratégias de manejo, como eliminação de plantas voluntárias, sincronização do plantio, uso de variedades resistentes e monitoramento constante das lavouras.

O cenário reforça a necessidade de planejamento e investimento em tecnologia para conter o avanço da praga e reduzir os impactos sobre a produção agrícola brasileira.

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