Ziegler disse que a queima de milhões de toneladas de milho, cereais, arroz e outros produtos para produzir biocombustíveis é um fator importante nas fortes altas de preços de alimentos, ainda que tenha admitido que não é o único.
Entre os outros fatores citados por ele estão a política do Fundo Monetário Internacional - que obriga muitos países de terceiro mundo a ter uma agricultura orientada para a exportação às custas da economia de subsistência - e a especulação dos mercados que ajuda a disparar os preços dos alimentos.
Ziegler advertiu que estamos atualmente no limiar de uma situação perigosa em que as manifestações contra a fome podem se multiplicar, protagonizadas por pessoas que lutam por sua sobrevivência e que temem por sua vida.
A respeito dos biocombustíveis, ele afirmou que os argumentos originais a favor deles, tanto do ponto de vista da proteção do clima como do ponto de vista estratégico, não eram absurdos, porém, diante da ameaça de uma catástrofe humanitária, perderam a validade.
"Os argumentos não têm validade frente ao desastre que nos ameaça. Hoje, o uso e fomento de biocombustíveis é um crime contra a humanidade", disse Ziegler.
As declarações foram feitas depois de o Banco Mundial advertir que a alta nos preços dos alimentos em todo o mundo gerava risco de protestos violentos em 33 países.
Em alguns, como o Haiti, as primeiras manifestações contra a inflação já foram registradas.
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