A possibilidade de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses coloca Mato Grosso do Sul em atenção para os efeitos do calor e das mudanças no regime de chuvas. Entre as preocupações está o risco de aumento dos acidentes envolvendo animais peçonhentos, principalmente escorpiões, que podem encontrar condições favoráveis de atividade em períodos de temperaturas elevadas. O cenário exige cuidados tanto nas áreas urbanas quanto nas comunidades rurais.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que Mato Grosso do Sul registrou 4.779 acidentes com animais peçonhentos entre janeiro e setembro de 2026. Os escorpiões foram responsáveis pela maior parte das notificações, com 3.572 ocorrências. Também foram registrados 375 acidentes envolvendo abelhas, 303 com serpentes, 219 com aranhas e 81 com lagartas, além de casos relacionados a outros animais ou sem identificação da espécie.
Em Campo Grande, a situação também exige atenção. Conforme levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foram contabilizados 1.192 acidentes nos primeiros nove meses do ano, sendo 1.008 provocados por escorpiões. As regiões do Anhanduizinho e da Lagoa concentram parte expressiva dos registros, em áreas onde fatores como acúmulo de resíduos, terrenos sem manutenção e presença de abrigos podem favorecer a permanência desses animais.
A preocupação com os próximos meses está relacionada às condições climáticas previstas para o fim de 2026 e o início de 2027. O fenômeno El Niño pode alterar a distribuição das chuvas e contribuir para períodos de temperaturas acima da média. Em ambientes urbanos, o calor e as precipitações intensas podem modificar o comportamento de animais peçonhentos, favorecendo seu deslocamento e aumentando as possibilidades de contato com moradores.
Apesar do alerta, os números deste ano mostram redução nas ocorrências. Em Mato Grosso do Sul, foram registrados 6.954 acidentes entre janeiro e setembro de 2025, contra 4.779 no mesmo período de 2026. Na Capital, a quantidade também diminuiu, passando de 1.974 para 1.192 notificações. A queda, entretanto, não elimina a necessidade de prevenção, principalmente diante das possíveis mudanças nas condições ambientais.
Os escorpiões representam uma preocupação especial por sua capacidade de se esconder em ambientes domésticos. Ralos, caixas de inspeção, frestas, entulhos, pilhas de madeira e materiais de construção podem servir de abrigo. Já nas regiões rurais, serpentes e outros animais podem ser encontrados durante atividades agrícolas, limpeza de terrenos e deslocamentos por áreas de vegetação. Para reduzir a possibilidade de acidentes, as autoridades de saúde orientam a população a manter quintais limpos, evitar o acúmulo de materiais, instalar telas em ralos e verificar roupas e calçados antes de utilizá-los.
Em residências com crianças pequenas, os cuidados devem ser redobrados, especialmente porque acidentes com escorpiões podem provocar manifestações graves nessa faixa etária.
Em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, sem realizar cortes, torniquetes ou aplicar substâncias caseiras no local atingido. O Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox) também oferece orientações pelo telefone 0800 722 6001. Embora ainda não seja possível prever se o El Niño provocará aumento efetivo dos acidentes em Mato Grosso do Sul, o cenário reforça a importância da prevenção e do acompanhamento das condições climáticas e sanitárias nos próximos meses.
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