Enquanto a capital sul-mato-grossense se prepara para receber delegações e autoridades que vêm para a COP15 — a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias —, histórias de animais que cruzam continentes, oceanos e biomas começam a ganhar destaque. Uma das espécies encontradas no Pantanal e que estará em evidência é a onça-pintada.
O evento, programado para ocorrer entre os dias 23 e 29 de março, tem como objetivo debater a proteção de espécies que desafiam fronteiras e conectam países em uma responsabilidade comum.
Entre os animais que estarão no centro das discussões estão o albatroz-errante, a onça-pintada e a tartaruga-verde.
Embora vivam em ambientes distintos, essas espécies têm algo em comum: dependem de ações conjuntas entre países para sobreviver.
É o caso do albatroz-errante, que percorre milhares de quilômetros em voo planado sobre o oceano, utilizando os ventos como aliados. Considerada uma das aves mais emblemáticas do Hemisfério Sul, pode passar anos sem tocar terra firme, retornando apenas a ilhas remotas para se reproduzir. Durante suas jornadas, a espécie pode ser observada entre julho e setembro no litoral do Rio Grande do Sul, onde utiliza a costa brasileira como área de alimentação.
Se no oceano o desafio é o anzol invisível da pesca, em terra firme a luta da onça-pintada é outra: sobreviver em um território cada vez mais fragmentado.
Maior felino das Américas, a espécie ainda resiste com uma população estimada entre 50 mil e 55 mil indivíduos no Brasil, concentrados principalmente na Amazônia e no Pantanal. Fora dessas regiões, porém, vive isolada em áreas menores, dependente de corredores ecológicos para manter a conexão entre populações.
É justamente o Cerrado — bioma que abrange Mato Grosso do Sul — que desempenha papel estratégico para a sobrevivência da espécie. Sem ele, as onças ficam isoladas em “ilhas” de vegetação, mais vulneráveis à expansão agropecuária, incêndios e conflitos com a pecuária.
Já no oceano Atlântico, outro viajante silencioso traça rotas que atravessam países inteiros: a tartaruga-verde. A espécie percorre mais de dois mil quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução, conectando ilhas como Ascension ao litoral brasileiro.
No Brasil, encontra refúgio em áreas protegidas como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Ilha da Trindade, onde milhares de ninhos são registrados a cada temporada. Ainda assim, enfrenta ameaças como a poluição marinha, ingestão de plástico e captura acidental em redes de pesca.
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Diálogo para sobreviver
Apesar de viverem em ambientes diferentes, essas espécies compartilham um mesmo destino: dependem da cooperação internacional para existir.
As onças precisam de corredores ecológicos que atravessam países. As tartarugas cruzam oceanos conectando continentes. Já o albatroz vive em águas internacionais, onde a fiscalização é mais difícil e a responsabilidade é coletiva.
Nesse contexto, o diálogo entre nações se torna essencial para a sobrevivência dessas espécies.
A COP15, como evento global voltado à proteção de espécies migratórias, reforça a ideia de que a natureza não tem fronteiras — mas os desafios, sim.
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