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Prática de ceva

Interação de turistas com araras vira caso de investigação em Mato Grosso do Sul

Turistas aparecem beijando, alimentando e tocando aves silvestres em atração de Bodoquena

Viviane Freitas
Capital News

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu investigação para apurar a prática de ceva de animais silvestres no Refúgio Ecológico Pousada Canaã, localizado na zona rural de Bodoquena. O procedimento foi instaurado após a divulgação de imagens de turistas interagindo diretamente com araras-azuis no local.

Vídeos e fotos publicados nas redes sociais mostram visitantes alimentando, pegando, acariciando e até beijando as aves dentro do atrativo turístico. Segundo relatório do Ministério do Meio Ambiente, os próprios funcionários realizavam a alimentação frequente dos animais para aproximá-los dos turistas.

Conforme o documento, sementes de girassol, melancia, banana, amendoim e coquinhos eram usados há anos para atrair as araras. A prática, conhecida como “ceva”, é considerada irregular por estimular a domesticação e alterar o comportamento natural dos animais silvestres.

O relatório aponta que as aves ficaram extremamente dóceis e perderam parte do comportamento típico da espécie. As araras circulavam entre funcionários e visitantes sem demonstrar medo, comportamento considerado preocupante por especialistas ambientais.

De acordo com órgãos ambientais, a domesticação pode comprometer a sobrevivência dos animais na natureza, além de aumentar riscos de doenças, estresse e acidentes. O excesso de frutas e alimentos inadequados também pode provocar problemas de saúde nas aves.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis aplicou multa de R$ 50,5 mil ao atrativo turístico pelas irregularidades identificadas. A prática de ceva é considerada crime ambiental e pode resultar em multa e até reclusão, conforme normas federais e estaduais.

A reportagem entrou em contato com o Refúgio Ecológico Pousada Canaã, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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