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Moda e Beleza Domingo, 16 de Agosto de 2026, 13:42 - A | A

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Coluna Moda e Beleza

O impacto do estresse na pele e como reduzir seus efeitos

Por Thais Hott

Da coluna Moda e Beleza
Artigo de responsabilidade do autor

A resposta do organismo ao estresse pode comprometer a barreira cutânea e favorecer alterações visíveis na pele

Maksym Belchenko/istock

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Quando a pele muda de aparência, é comum atribuir o problema ao clima, à alimentação ou às oscilações hormonais. Esses fatores realmente influenciam a saúde cutânea, mas existe outro componente que também merece atenção: o emocional. O estresse na pele é resultado de uma resposta biológica do organismo que pode alterar desde a hidratação até a produção de colágeno, deixando marcas visíveis com o passar do tempo.

Em uma revisão narrativa publicada em 2025 na revista científica Cureus, intitulada "Alterações cutâneas induzidas pelo estresse: uma revisão narrativa", os autores reuniram evidências sobre os efeitos do estresse na pele e destacaram os resultados de um estudo de coorte com 12.259 mulheres.

Nesse grupo, 42% apresentavam sinais de pele sensível, e 21% tinham manifestações inflamatórias, alterações frequentemente associadas à exposição prolongada ao estresse. Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação direta de causa e efeito, os autores afirmam que há evidências suficientes para associar a exposição prolongada ao estresse às alterações observadas na pele.

Além disso, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a pele participa ativamente da resposta do organismo ao estresse por estar conectada aos sistemas nervoso, endócrino e imunológico. Quando essa resposta se prolonga, processos importantes para a renovação celular, cicatrização e proteção da barreira cutânea podem ser comprometidos.

Como o cortisol afeta a barreira cutânea e a elasticidade da pele?

O principal hormônio envolvido nesse processo é o cortisol. Em situações pontuais, ele ajuda o corpo a responder a desafios. Quando permanece elevado por muito tempo, porém, seus efeitos deixam de ser protetores.

A chamada barreira cutânea funciona como uma camada de proteção que impede a perda excessiva de água e dificulta a entrada de microrganismos, poluentes e substâncias irritantes. Estudos publicados no British Journal of Dermatology (2019) e na revista científica Scientific Reports (2018) mostram que o excesso de cortisol reduz lipídios e proteínas essenciais dessa barreira, aumentando a perda de água pela pele e favorecendo ressecamento, sensibilidade e inflamação.

Ao mesmo tempo, o estresse também está associado à redução da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele. Esse desequilíbrio favorece o envelhecimento precoce, tornando linhas finas e perda de viço mais perceptíveis.

Principais sinais do estresse na pele

Vale ressaltar, é claro, que os efeitos do estresse na pele podem variar de pessoa para pessoa. Em algumas, o estresse favorece o aumento da oleosidade e o aparecimento de espinhas. Em outras, funciona como um gatilho para agravar doenças que já existiam ou para desencadear crises em quem tem predisposição genética. Ainda segundo a SBD, quadros como acne, dermatite atópica, psoríase e rosácea podem piorar durante períodos de estresse intenso.

A chamada acne nervosa, por exemplo, não é uma doença diferente da acne comum. O termo é usado para descrever o surgimento ou agravamento das lesões em momentos de estresse, quando o aumento do cortisol estimula a produção de sebo e intensifica a inflamação da pele. Já na rosácea, o estresse é reconhecido como um dos principais fatores desencadeantes de crises, favorecendo episódios de vermelhidão persistente, sensação de calor e maior sensibilidade cutânea.

Os sinais mais frequentes incluem:

— Aumento da oleosidade e surgimento ou piora da acne;
— Ressecamento e sensação de pele repuxando;
— Vermelhidão e sensibilidade, especialmente em pessoas com rosácea;
— Agravamento de dermatite atópica e psoríase;
— Cicatrização mais lenta;
— Perda de luminosidade e elasticidade.

Dicas práticas para reduzir os efeitos e manter o bem-estar

Em meio a rotinas exaustivas e desafiadoras, falar em reduzir o estresse pode parecer simplista. No entanto, isso não significa eliminar completamente os desafios do dia a dia, mas criar condições para que o organismo consiga se recuperar. Nesse processo, hábitos básicos fazem diferença: dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e reservar momentos de descanso ajudam a controlar o estresse e contribuem para a saúde da pele.

Além desses hábitos, uma rotina de skincare adaptada às necessidades de cada pele também ajuda a preservar a barreira cutânea. Medidas como higienização suave, hidratação diária e uso de protetor solar reduzem a perda de água e fortalecem a proteção natural da pele. Em alguns casos, o dermatologista pode indicar ativos específicos, como ácidos, antioxidantes ou outros componentes, de acordo com as características e as necessidades de cada paciente.

É importante lembrar que, quando surgem sintomas persistentes, como acne intensa, descamação, coceira ou lesões recorrentes, a recomendação é procurar um dermatologista. Cada quadro possui causas e características próprias, e apenas uma avaliação individualizada pode definir os cuidados mais adequados.

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