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Com debate aflorado, livros que retratam a diversidade entram em foco

Por Luisa Pereira

Da coluna Cultura
Artigo de responsabilidade do autor

Movimento “Black Lives Matter” colaborou para a discussão sobre a diversidade retratada nos livros e na indústria editorial

Divulgação

ColunaCultura

O mercado editorial e o consumo de livros já passava por mudanças para se adequar às novas convenções que abrangem a diversidade. Mesmo assim, o movimento “Black Lives Matter” (“Vidas negras importam”, em tradução livre), que luta contra o racismo e a violência direcionada às pessoas negras e originado na comunidade afro-americana, colocou o debate ainda mais em foco nos últimos meses.


Com a popularização do ativismo nas redes sociais, as manifestações iniciadas com o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, ganharam proporções inimagináveis e o debate se estendeu a produções cinematográficas, participação das pessoas negras em cargos altos e, claro, aos escritores, profissionais da indústria editorial e personagens das histórias, que possuem, essencialmente, as mesmas características e não apresentam a diversidade encontrada no mundo real.


Nesse cenário, o movimento impulsionou as vendas de livros que pautam o racismo no Brasil. O "Pequeno Manual Antirracista", de Djamila Ribeiro, vendeu mais de 3.000 exemplares na primeira semana de junho – primeira após o início dos protestos –, o que representa um crescimento de 184% em relação à semana anterior, de acordo com pesquisa da Nielsen.


Obras como  "Quarto de Despejo", de Carolina Maria de Jesus, "Um Defeito de Cor", romance histórico de Ana Maria Gonçalves, "Olhos d'Água", de Conceição Evaristo, e "Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil", de Sueli Carneiro, também registraram aumento nas vendas.


Além disso, outros livros pautados na diversidade estão sendo lançados na quarentena, como é o caso de “A Diversidade: Aprendendo a Ser Humano”, do filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, conhecido por exemplificar preceitos filosóficos com situações corriqueiras do dia a dia e ser utilizado como referência em aulas do curso de Filosofia EAD e presencial. O livro é, basicamente, uma versão atualizada, expandida e renomeada de “Escola e Preconceito”, escrito em parceria com a jornalista Janete Leão Ferraz. Na redação atual, os conceitos são ampliados para além dos muros da escola e abrangem toda a sociedade


“Com essa turbulência à nossa volta, fica mais um ‘cada um por si, Deus por todos’. Mas é preciso entender que nenhum de nós, sozinho, vai sair desse circuito”, pondera. “Haverá uma dependência não só dos esforços da ciência, mas da comunidade, de convivência, de cooperação.”

Infantojuvenil
A temática também é tratada em histórias para o público mais jovem. “O Black Power de Akin”, escrito por Kiusam de Oliveira, educadora eleita uma das dez mais importantes para formação infantil pela ONU, é um exemplo disso. A história é guiada pela busca da autoestima de um menino negro, por meio da aceitação de seu cabelo naturalmente crespo.


“Faço uma literatura negro-brasileira do encantamento”, define. “A ideia é que as crianças, negras e não negras, criem empatia e tenham novas soluções para problemas cotidianos”, explica a escritora à revista Vogue.

Leitura para crianças
Ao longo dos anos, o consumo de livros escritos por mulheres e com protagonismo feminino cresceu entre os adolescentes e adultos. Entretanto, também é importante que essas obras – que fogem da ideia de uma princesa que precisa ser salva por um príncipe – sejam lidas para as crianças.


"A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu 'eu', formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é certo e errado e como o mundo funciona para moldar suas condutas", explica a pedagoga Claudia Onofre, consultora educacional da plataforma Dentro da História.

 

 

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