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Pandemia agrava problemas bucais da população brasileira

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Adiando consultas, população tem encontrado maiores problemas odontológicos, devido à baixa na frequência dos tratamentos

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ColunaBem-Estar

Na atual crise sanitária, causada pela pandemia do novo coronavírus, a palavra de ordem se tornou “distanciamento”. Na procura por evitar situações propícias à contaminação, brasileiros têm adiado compromissos, incluindo consultas médicas. Nesse movimento, a saúde bucal da população tem sido afetada em níveis consideráveis.

Segundo levantamento feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o número de consultas odontológicas na rede pública teve uma redução de até 80% durante o período da pandemia. Na rede privada, dados recolhidos pela operadora Amil apontam uma queda de até 30%.

Essa diminuição na frequência com que os consultórios são visitados reflete na saúde bucal da população de maneiras variadas. Alguns dos maiores problemas podem ser evitados com o tratamento e a identificação precoces, mas a diminuição na rotina de consultas aumenta o desconhecimento da própria saúde bucal, e os problemas começam a ganhar força até se tornarem graves.

Nota-se, inclusive, que a pandemia não só impediu que problemas fossem tratados, causando seu agravamento, como também deu origem a novas complicações.

O sentimento de isolamento, causado pelo distanciamento social, já mostra resultados na saúde mental do brasileiro. O aumento nos casos de ansiedade e depressão não só diminui a qualidade de vida da população, como também afeta sua saúde bucal, que, por sua vez, pode afetar o resto do corpo.

Casos de bruxismo – ranger de dentes durante a noite ou o dia – aumentaram consideravelmente, assim como o uso de placa miorrelaxante. A condição, agravada por transtornos mentais, causa desgaste nos dentes, e esse desgaste, por sua vez, pode levar também a dores de cabeça, de ouvido e na coluna.

Em casos mais extremos, a tensão no maxilar, devido à ansiedade e ao estresse, pode acarretar em perda de dentes e problemas mais sérios, que necessitam de tratamento imediato.

A vacinação já está em curso e, lentamente, as pessoas começam a sair de casa com mais frequência, encorajadas pela imunização e outras medidas de flexibilização tomadas pelo estado. A situação é de melhora, mas ainda há o receio de ter de tirar a máscara para fazer consultas odontológicas.

Para encorajar o tratamento da saúde bucal durante a pandemia, órgãos públicos e privados têm feito esforços para desmistificar o processo e dar condições seguras aos pacientes.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) editou, no início da pandemia, o Manual de Boas Práticas em Biossegurança para Ambientes Odontológicos, que tem sido seguido pelos consultórios. O manual prevê medidas de intensificação de cuidados preexistentes, como a esterilização por meio de limpeza profunda, capaz de eliminar toda forma de vida microbiana no ambiente. Os profissionais utilizam EPI (Equipamento de Proteção Individual)  adequado e rigoroso, incluindo máscaras cirúrgicas e protetores faciais.

Essas medidas de segurança são seguidas por consultórios e levadas a sério por profissionais de todos os níveis – dos mais experientes até os recém-saídos da faculdade de odontologia.

Na rede pública, o Ministério da Saúde ainda disponibilizou um guia com orientações para atendimento odontológico durante a pandemia, com diretrizes equivalentes ao Manual de Boas Práticas em Biossegurança para Ambientes Odontológicos da rede privada.

Ainda levará algum tempo para que a situação se normalize e o brasileiro deixe de temer as consultas médicas, mas é muito importante combater a desinformação, frisar a importância da saúde bucal e garantir que o tratamento odontológico seja seguro, mesmo nestes tempos.

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