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Saúde Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2013, 11:02 - A | A

Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2013, 11h:02 - A | A

Promotora considera insuficientes ações da Sesau para desafogar da Santa Casa

Ítalo Milhomem - Capital News (www.capitalnews.com.br)

A promotora Filomena Aparecida Depólito Fluminhan afirmou que as respostas apresentadas ontem (5) pela Prefeitura de Campo Grande foram insatisfatórias diante os graves problemas no setor ortopedia no município.

Na resposta enviada pela Prefeitura com um dia de atraso, foram informadas providências que já estavam sendo tomadas há pouco tempo, após três reuniões entre Ministério Público e os hospitais da Capital para tentar amenizar a falta de leitos para pacientes com problemas ortopédicos.

Entre as medidas que estavam sendo praticas, está o terceiro turno de cirurgias ortopédicas na Santa Casa, que começou na última segunda-feira (2), o convênio com hospitais privados para cirurgias e a melhor distribuição de pacientes com traumas de menos complexidade entre Centro Especializado Municipal (CEM), Hospital Regional e Hospital Universitário.

Filomena recebeu a informação da diretoria da Santa Casa, que em 15 dias o terceiro tempo de cirurgias já não suportará a demanda, devido ao grande número de pacientes.

O município respondeu que quando há necessidade, tem contratado leitos em hospitais privados para desafogar a Santa Casa. Semanalmente o município realiza oito cirurgias ortopédicas no Hospital do Pênfigo por meio de um convênio assinado recentemente. Porém a promotora considera isso ainda insuficiente.
De acordo com a promotora, a primeira reunião de emergência para discutir a situação de superlotação no setor pronto-atendimento da Santa Casa aconteceu no dia 24 de outubro. Em vistoria in loco, ela percebeu que muitos pacientes que esperavam por cirurgias nas macas nos corredores do hospital eram motociclistas vítimas de acidente de trânsito.

Ela lembrou também que na última semana Santa Casa suspendeu por algumas horas as cirurgias de pacientes que não tinham maior gravidade, como fraturas expostas.

“O limite na fila de espera para cirurgias era de dez pessoas e já chegou a 39”, comentou a promotora.

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Promotora culpa acidentes envolvendo motociclistas por superlotação na Santa Casa
Foto: Ítalo Milhomem/Capital News

A promotora qualificou esse tipo de acidente como grande vilão da superlotação nos hospitais e da falta de leitos hospitalares e fez um apelo pela conscientização da sociedade. “Das 91 mortes no trânsito em Campo Grande neste ano, 51 foram motociclistas. Esses motociclistas que tem ser mais prudentes no trânsito evitar acidentes e ocupar leitos que poderiam ser utilizados por outras pessoas”, observou.

Uma das medidas que serão recomendadas ao município por meio da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) é atuação como maior rigor na fiscalização de veículos que estejam irregulares, condutores sem habilitação ou embriagados, tanto em motocicletas como em outros tipos de veículos.

Outro problema detectado pela promotoria de Saúde Pública, é a má regulação dos leitos médicos da cidade. De acordo com Filomena, o Sisreg, (Sistema de Regulação de Leitos) não está completamente implantado e está funcionando a contento, centralizando os atendimentos de trauma menos complexos, que poderiam ser atendidos na rede básica de saúde ou hospitais que atendem menor complexidade.

Questionada sobre se a conclusão do Hospital do Trauma da Capital resolveria o problema, a promotora afirmou que segundo informações dos gestores dos hospitais da cidade, seriam precisos dois hospitais especializados como este para amenizar a situação, e que aguarda uma auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) desde abril para apurar o atraso e possível iregularidades nas obras deste hospital, que é alvo de um Inquérito Civil Público,desde abril de 2012.

Tendo em vista a urgência na solução destes problemas está marcado para o próximo dia 12 de dezembro uma reunião entre os diretores dos hospitais Santa Casa, Regional, de Câncer, Universitário, São Julião, Pênfigo com representantes das secretarias Estadual e Municipal de Saúde para chegarem a uma decisão e a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para resolução dos problemas.

Caso não se chegue a um consenso, o Ministério Público entrará com uma Ação Civil Pública pedindo que o município como órgão gestor da saúde de Campo Grande seja obrigado a ampliar o números de leitos públicos nos hospitais.

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