O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, disse, nesta sexta-feira (5), que vai disponibilizar técnicos para compor a equipe de transição que cuidará da passagem da gestão da Santa Casa, do poder público para a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), entidade que administrou o hospital desde a fundação até 2005, quando a diretoria da associação foi afastada por meio de intervenção.
Segundo informações do presidente da associação, Wilson Teslenco, a ABCG precisou entrar na Justiça para solicitar a formação da equipe, já que o poder público não se manifestou sobre a importância de se fazer uma transição. “Seria um caos”, atentou Wilson a possibilidade de a ABCG assumir a gerência sem nenhum conhecimento sobre a real situação da Santa Casa.
No dia 1º de abril, a Justiça definiu que a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado deveriam indicar nomes para compor a equipe de transição. Bernal acatou: “nós vamos colocar toda a equipe técnica a serviço da transição obedecendo a decisão judicial. Eu como prefeito tenho que obedecer”, disse o prefeito durante agenda pública desta sexta-feira.
“Eu só espero que o Judiciário e o Ministério Público (MPE) tratem de fazer os levantamentos necessários para identificar os responsáveis por essa crise que se arrasta há anos e que se agravou, já que a dívida que era de R$ 30 milhões aumentou para R$ 160 milhões”, emendou, revelando a vontade de que os culpados pela má administração sejam identificados e punidos.
Bernal disse que ouviu os representantes da ABCG. Segundo o prefeito, eles reclamam do déficit mensal e da crise da Santa Casa, que teve início quando a prefeitura deixou de fazer o pagamento integral dos serviços que eram realizados pelo hospital. “Eram feitos pagamentos parciais. Quando se tratou dos pagamentos que restaram, eles [ABCG] ainda foram obrigados a firmar um acordo recebendo apenas uma parte do que realmente tinham crédito”, explicou.
A culpa pela crise hospitalar, segundo o prefeito, é da administração passada. “O governo que me antecedeu não resolveu o problema que prometeu resolver ao fazer a intervenção. A dívida que deveria ter sido sanada, não foi e passou para R$ 160 milhões”, lembra.
O prefeito completa que “o problema é grave, se arrasta por muitos anos. Eu tenho repassado, pontualmente, os valores que são de direito da saúde. Temos que tomar providências para que essa transição ocorra da forma como manda a justiça”.
A Santa Casa de Campo Grande passou a ser administrada pela prefeitura e pelo Estado em 14 de janeiro de 2005, quando a diretoria da ABCG foi afastada, por determinação da Juatiça. A justificativa para a intervenção era promover a melhoria no atendimento e saneamento das finanças. O prazo da intervenção acaba no dia 17 de maio, quando a ABCG voltará ao comando do hospital.
