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Saúde Segunda-feira, 01 de Julho de 2013, 10:00 - A | A

Segunda-feira, 01 de Julho de 2013, 10h:00 - A | A

Operação Sangue Frio: Dobash atuava para frear vinda de equipamentos de combate ao câncer no MS

Ítalo Milhomem - Capital News (www.capitalnews.com.br)

A secretária Estadual de Saúde, Beatriz Dobash foi flagrada em ligações telefônicas autorizadas pela Justiça fazendo lobby para a “Máfia do Câncer”, que é investigada pela “Operação Sangue Frio” em Campo Grande.

Nas ligações interceptadas, Dobash aparece articulando com administradores de hospitais da Capital para frear a vinda de novos equipamentos de radioterapia para combater o câncer de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a reportagem exibida nesta segunda-feira (1) pelo programa Bom Dia MS, da TV Morena, em 2012, Dobash e o diretor do Hospital Regional, Ronaldo Queiroz, conversavam por telefone antes de uma reunião do Inca (Instituo Nacional do Câncer), em que o Estado poderia receber cinco aparelhos de radioterapia, um para Dourados, outro para Corumbá e três para Campo Grande, que ficariam lotados no Hospital Regional, Hospital Universitário e na Santa Casa.

Os dois combinam em dizer, que a Santa Casa não necessitaria do equipamento, pois já tinha um contrato com a empresa Neorad, do médico Adalberto Siufi, que atendia pela tabela SUS e que o Hospital Regional (HR) já iria implantar o serviço.

Na conversa datada de agosto de 2012, Dobash calcula o tempo necessário para que seja implantado o serviço no HR, e comenta espera que demore muito para isso se concretizar, dando a entender que não gostaria da ampliação do serviço no hospital.

“Eles vão licitar uma empresa para avaliar, depois eles vão liberar o dinheiro da obra, depois liberar o dinheiro do equipamento, então acho demora, eu espero que demore né”, comenta rindo, Dobash.

Após a conversa com a secretaria, Ronaldo Queiros liga para Carlos Dorsa, ex-diretor do Hospital Universitário (HU) também para combinar a conversa antes da reunião no Inca. Ronaldo afirma que a Santa Casa abriria a mão do aparelho, e que o HU também poderia fazer o mesmo.

“Agora última versão, a Lastória não vai mais, eu vou levar um ofício falando que a Santa Casa está terceirizada, abre mão e não quer. O Dorsa não vai, inclusive o Ministério vai exigir que você (Dorsa) volte com a oncologia para lá (HU). Então a Bia (Dobash) disse que vamos assumir , dizer que nós queremos para o Regional, um projeto para 2015, que vai demorar muito ainda e o HU abre a mão. Eu vou levar a carta da Santa Casa e vou levar a sua então, se não você entra no pacote (para ter o equipamento de radioterapia). Deixa como você está, já tem esse (aparelho de cobalto) aí”.

Dorsa responde “abre mão, é isso mesmo, é melhor não ter esse troço ai” responde o ex-diretor do HU.

Em maio após a CPI municipal da Saúde, Dorsa tinha falado que fez convênios para desenvolver o setor de radioterapia no HU, afirmou que foi a pessoa que mais lutou por isso.

Em outra conversa, Ronaldo e Dorsam comentam sobre a vinda de equipamentos de radioterapia para o Hospital do Câncer(HC), para beneficiar Adalberto Siufi.

“Presta muita atenção. Falei de manhã com Drª Beatriz, Vamos combinar de conversar de manhã sobre as diretrizes porque a reunião no Inca é deliberativa. Quando eles ofereceram as maquinas de radioterapia, ela pediu, a Bia, Dourados, Corumbá, HU, para substituir essa velha, Regional e o Hospital do Câncer. O Ministério não aceitou esse ofício dês última, hora disseram , não, nós não vamos dar para o Adalberto Siufi, não vamos dar para o Hospital do Câncer. E publicou os três hospitais de interesse, Santa Casa, Regional e do HU.”

Após a reunião com inca, Ronaldo comenta com Dobash sobre o pedido da secretaria de Saúde do Estado para que o HC recebesse o aparelho de radio. A representante do Inca, disse que não enviaria o equipamento para o HC porque já conhecia os esquemas do médico Adalberto Siufi, e que o problema passaria a ser político.

Então Dobash liga para Adalberto Siufi e fala para que ele converse com um amigo dentro do Ministério da Saúde para que ela tente reverter a situação. Ela dá o aval para Siufi fazer esse pedido em seu nome.

De acordo com a reportagem da TV Morena, um relatório de 2011 mostra que desde aquela época o sistema de combate ao câncer em Campo Grande estava sucateado, e quem administrava a gestão municipal da saúde era a própria Beatriz Dobash, que era secretária de saúde de Campo Grande, na gestão André Puccinelli.

A reportagem do Capital News tentou falar com a secretária de Saúde, porém sua assessoria de imprensa não deu uma respota até o momento.

Hoje apenas o Hospital do Câncer tem o equipamento de acelerador linear para prestar o serviço de radioterapia, pois o Hospital Universitário utiliza um serviço mais antigo,a bomba de cobalto, e que está suspenso por determinação da Agência Nacional de Energia Nuclear.

De acordo com a TV Morena, o Inca enviará três aceleradores nucleares para radioterapia, um para o Hospital Evangélico de Dourados, Hospital Regional de Campo Grande, e Hospital Universitário, que voltou atrás na decisão e decidiu receber o equipamento. A Santa Casa também deverá aderir ao Plano Nacional de Expansão de Radioterapia do Inca, e deverá receber os equipamentos e os recursos para prestar o serviço. (Matéria atualizada às 10h22 para acréscimos de informações). 

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