O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está em Campo Grande para se reunir com responsáveis do Hospital do Câncer e do Hospital Universitário (HU) e anunciar o que chamou de “força-tarefa” para apurar e corrigir irregularidades, após denúncias da Operação Sangue Frio, deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Controladoria Geral da União.
“Instalamos essa força-tarefa para checar se os serviços cumpriram as recomendações do Ministério da Saúde após auditorias realizadas em 2011 e 2012”, disse o ministro em coletiva de imprensa no Hospital do Câncer nesta terça-feira (7).
De acordo com Padilha, o primeiro item do conjunto de ações será apurar se existia má administração de medicamentos e se isso pode ter comprometido a segurança dos pacientes. Para isto, o ministério indicará seis técnicos para trabalhar em parceria com dois auditores nomeados pelo Governo do Estado e mais dois pela Prefeitura de Campo Grande.
“Segunda ação é identificar como que o ministério Saúde e o da Educação, por meio da retomada do serviço pelo HU, podem expandir o tratamento de radioterapia na cidade. Quantos pacientes estão na fila? O que precisa ser feito para expansão? Isso que vamos ver”, explica o ministro.
A terceira ação será a programar a compra novos de aparelhos para equipar o HU, o Hospital do Câncer e ampliar os serviços de radioterapia para o interior, em Courmbá, Dourados e Três Lagoas. “Com isso o foco principal é reduzir a fila do tratamento de câncer. Para isso o Sistema Único de Saúde tem que ser parceiro de todos para atender melhor a população e com mecanismos que Estado e município terão para evitar irregularidades”, explicou.
O ministro também disse que a quarta ação da força-tarefa será continuar a auditoria, mantendo o atendimento para que as mudanças sejam intensificadas e o serviço não seja prejudicado. “O objetivo é garantir a segurança do paciente”, disse Padilha.
Questionado pela imprensa sobre o porquê esta força tarefa não foi implantada antes, Padilha explicou que era preciso mais tempo para que a Polícia Federal fizesse uma apuração completa para que todos os envolvidos fossem identificados.
“A Polícia tem mecanismos que nós do ministério não temos, como as escutas telefônicas e foi importante que não fosse anunciado antes para que a apuração fosse completa. As punições serão ressarcimento de recursos, punições de ética profissional e até mesmo processos penais e criminais quanto ao desvio de recursos”, concluiu o ministro.
O prefeito Alcides Bernal e a secretária de Saúde do Estado, Beatriz Dobashi acompanharam a visita de Padilha pelos hospitais. Segundo a secretária, os auditores apresentarão o resultado das apurações em 30 dias.
“Não fizemos auditoria antes, porque a gestão é responsabilidade do município, mas vamos garantir que o serviço não seja prejudicado”, informou Dobashi. Bernal aproveitou a vinda do ministro para pedir que uma auditoria também fosse feita na Santa Casa, também em Campo Grande.
Já o diretor-presidente do Hospital do Câncer, Carlos Coimbra, disse que a instituição vai fornecer toda a documentação que for pedida nesta nova auditoria. Segundo a Polícia Federal, o serviço de radioterapia do Hospital Universitário foi paralisado para beneficiar clínicas particulares do médico Adalberto Siufi, que também era diretor do Hospital do Câncer.
Os principais acusados pela Operação Sangue Frio são Siufi e o ex-diretor do HU, José Carlos Dorsa, exonerado ontem (7) após repercussão nacional do caso no domingo pelo Fantástico, em que mostrou que cerca de R$ 11 milhões foram direcionados a empresas da família de ex-diretor do Hospital do Câncer.
