Médicos e acadêmicos de medicina irão entregar um documento com as justificativas do movimento “Revalida Sim!”, na manhã desta quarta-feira (3), contrário à medida do governo federal de receber médicos cubanos para atender em cidades de difícil acesso, sem passar pela prova que revalida o diploma para exercício da medicina.
O documento será entregue ao governador André Puccinelli (PMDB), com cópias ao prefeito Alcides Bernal (PP) e ao Ministério Público Federal. À tarde, às 16 horas, a categoria fará um manifesto em frente ao Ministério da Saúde, em Campo Grande, para chamar a atenção da sociedade aos riscos da medida.
Durante entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS), o presidente da Associação Médica de Mato Grosso do Sul (AMMS), Fabio Magalhães, este é um grito de alerta da categoria. "Se a situação da saúde pública no país está ruim, podem ter certeza de que vai ficar pior", afirmou Magalhães.
O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Luis Henrique Mascarenhas, destacou que a medida do governo não resolve o problema da ausência de médicos nas cidades do interior. "Somos contrários que os médicos que estão sendo "importados" sejam trazidos sem uma prova de revalidação. Nao somos contrários que eles venham trabalhar aqui no Brasil, mas com uma comprovação de que eles têm competência para atender a população brasileira", afirmou Mascarenhas.
Para ele, esta é uma medida imposta pelo Governo Federal para sanar uma saúde pública deficitária. "Querem colocar a culpa em cima dos médicos, quando na verdade é toda uma conjuntura de falta de infraestrutura para o atendimento médico", observou o presidente do CRM. "Esta proposta não vai resolver o problema da saúde no país", salientou Mascarenhas. Segundo ele, não falta médicos no país, mas existe a má distribuição dos profissionais que se concentram nas grandes cidades. "Os médicos estão concentrados onde eles têm condições de trabalhar, eles não vão trabalhar em locais em que não há estrutura, não há medicamentos, suporte de uma equipe de saúde. Ninguém pode fazer nenhuma atividade apenas com o estetoscópios, sem suporte", afirmou Mascarenhas que ressaltou que falta médicos no sistema público porque não há um investimento na carreira médica.
Segundo o presidente do CRM, Luis Henrique Mascarenhas, os médicos não são atraídos pelo sistema público. "Hoje, a média de médicos na saúde pública é, em torno, de um para cada mil habitantes, e na estera privada é de dois para mil", observou. Para Mascarenhas, a solução seria a criação de um plano de cargos e carreiras no Sistema Único de Saúde (SUS), investimento maior na saúde", pontuou Mascarenhas.
"No documento consta inúmeras sugestões de entidades médicas do país, e a reivindicação de um investimento maior na saúde, apresenta uma proposta de carreira para fixar o profissional no interior e a vinda de médicos estrangeiros sem passar pelo Revalida", afirmou Marco Antonio Leite, presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS). Segundo ele, a princípio, a categoria não fará nenhuma paralisação, por entender que a população não pode ser punida pela decisão do Governo Federal.
Dilma apresentou o programa como uma resposta à demanda dos manifestantes de um melhor sistema de saúde. A presidente propôs contratar médicos cubanos, espanhóis e portugueses, apesar da rejeição dos conselhos profissionais do país.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comentou ao portal "IG" que "não pode ser um tabu no Brasil ter uma política de atração de médicos estrangeiros" e apontou que a convocação que o Governo prepara dará prioridade aos profissionais brasileiros que queiram ocupar as vagas em aberto.
O Brasil pretende contratar 35 mil médicos, gradualmente, até 2017 para atender as necessidades de saúde em todo o país.
O Conselho Federal de Medicina disse que apesar de o país ter 1,8 médicos para cada 1.000 habitantes, 22 dos 27 estados estão abaixo dessa média, diferente de países com um sistema único de saúde pública, como a Inglaterra, que tem 2,7 médicos por cada mil habitantes.
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