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Saúde Quarta-feira, 03 de Julho de 2013, 15:51 - A | A

Quarta-feira, 03 de Julho de 2013, 15h:51 - A | A

Indígenas ocupam sede da Sesai por melhores condições na saúde nas aldeias

Ítalo Milhomem e Samira Ayub - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Cerca de 100 caciques e representantes de aldeias indígenas do Estado ocupam a sede da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) na tarde desta quarta-feira (3). Com faixas de protestos, a principal reivindicação dos indígenas é a substituição do atual coordenador do órgão no Estado, Nelson Carmelo Olazar.

Segundo o cacique da aldeia Jaguapiru, de Dourados, Vilmar Martins Machado, de 38 anos, o pedido da saída de Olazar é por conta do abandono da Sesai nas aldeias do Estado, que sofrem com a falta de médicos, medicamentos e infraestrutura, prejudicando os trabalhadores do órgão nas aldeias.

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Vilmar Martins, cacique da aldeia Jaguapiru, reclama da falta de mecdicamentos
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

“A Sesai foi criada, mas não tem conseguido atender a demanda, faltam medicamentos e as viaturas de saúde estão sucateadas. Onde estão os recursos que deveriam ser repassados para a saúde indígena?  Onde foi parar? A Sesai tem uma sede bonita, um local privilegiado na cidade, mas esses mesmos recursos não chegam nas aldeias”, reclama o cacique.

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Valdemir Ribeiro, da etnia terena, conta sobre a realiade da saúde indígena
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

O terena Valdemir Ribeiro, de 40 anos, também da aldeia Jaguapiru, conta que quando alguém fica doente e é alguma emergência sempre é acionado pelos patrícios para socorrer, pois tem um carro, que mesmo sem freio, auxilia famílias do local. Mas, nem todos têm condução própria e fica sem o atendimento.“É um sofrimento, é um absurdo o que acontece com as famílias indígenas. Quando alguém fica doente, quem tem carro leva e socorre, quem não tem, espera na aldeia pela viatura da Sesai que chega a transportar de oito a nove pessoas para fazer consulta", explica Valdenir.

Ribeiro relatou que certa vez socorreu uma criança de quatro anos, pois a ambulância estava demorando, a menina chegou ao Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu e morreu. Ele acredita que as más condições no transporte agravaram a situação da criança no caminho do hospital, porém se esperassem a ambulância, ela poderia não ter tido nenhum atendimento médico.

“Me ligaram para ajudar a socorrer uma criança de quatro anos de idade, que estava passando mal, mas meu carro não tinha condições de rodar, mesmo assim eu fui, tentei socorrer, levamos ao hospital da Vida, em Dourados, mas ela não resistiu e morreu. Quando a ambulância é acionada, chega a levar de oito a nove pessoas de uma vez  para o hospital”, lembra Ribeiro.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) esteve no local, conversou com os indígenas e afirmou que iria encaminhar as reclamações para a superintendência do órgão em Brasília e pedir providências. "De uma certa forma, eles estão reclamando a um bom tempo do atendimento da saúde nas aldeias, e parece que não tem tido uma posição mais concreta por parte do órgão em relação às reclamações, principalmente falta de medicamentos, o transporte dos doentes, o atendimento médico nas aldeias está precário", observou Kemp.

O parlamentar lembrou que o órgão foi criado recentemente. "Foi desmembrado da Fundação Nacional do Índio (Funasa) e talvez ainda não tenha aquela estrutura mínima para fazer um atendimento adequado. Creio que este é o momento em exigir da Sesai uma atenção maior, até porque Mato Grosso do Sul tem uma população de 76 mil índios, a segunda maior população indígena do Brasil. Precisa que a assistência esteja a contento", ponderou Pedro Kemp.

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O deputado estadual Pedro Kemp irá intermediar a situação
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

Nada a declarar - Na sede da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), nenhum funcionário comentou a respeito da ocupação do prédio. Uma servidora afirmou que não foram autorizados a falar com a imprensa e que somente o Ministério da Saúde daria um posicionamento.

O coordenador distrital, Nelson Carmelo Olazar, não estava na sede, e segundo informações, passou o dia com a mulher que está hospitalizada.

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Fernando Souza, presidente do Conselho Indígena, conta sobre reclamações de funcionárias
Foto: Rafael Gaijim/Capital News

Abuso - Em meio às faixas levadas pela liderança indígena, uma chama a atenção. Com os dizeres: "Assédio moral e sexual no DSEI/MS. Pode isso?". Segundo o indígena Fernando Souza, de 46 anos, presidente do Conselho Indígena, foi procurado por funcionárias do órgão que reclamaram sobre o possível abuso.

"Assim que tomamos conhecimento do fato, levamos o caso para as autoridades cabíveis. Abrimos uma sindicância para verificar o fato, mas ainda não temos o resultado", afirmou Fernando. Segundo ele, funcionárias do órgão eram chamadas na sala para uma reunião, mas durante a pauta, o assunto era desvirtuado. "Elas reclamaram de cantadas, de convites para sair, de insinuações, mas não disseram nada sobre toque físico", disse Fernando, que explicou que as funcionárias  também afirmaram que depois disso eram ameaçadas que se contassem para alguém seriam demitidas. (Matéria alterada ás 16h46 para acréscimos de informações)

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