Senhor José Eustáquio da Silva, 77, sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença neurodegenerativa que não tem cura, ou seja, precisa de acompanhamento médico constante. Eliane da Silva, filha de José, explica que a família até tenda fornecer o suporte medico que o pai precisa, mas infelizmente depende da rede pública de saúde.
Segundo Eliane, o pai era acompanhado por um gastroenterologista na Santa Casa de Campo Grande, mas há aproximadamente um ano, o médico passou o paciente para um neurologista. Desde então, José espera na fila para ser atendido pelo especialista. Eliane explica que por diversas vezes, durante este tempo, precisou levar o pai as Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF), mas que não conseguia o atendimento adequado, porque os clínicos gerais afirmam que não podem dar o tratamento certo ao idoso por não ser a especialidade deles.
Nesta quinta-feira (12) o idoso precisou ser atendido com urgência devido a agravantes no seu quadro clinico. A filha explica que levou o pai a Unidade de Pronto Atendimento Guanandi, onde foi feito um Raio X e constatado pedra no rim, água no pulmão, entre outras complicações.
Com o diagnóstico, o medico pediu transferência do paciente para o Hospital, uma vez que ele precisa de internação para receber o tratamento adequado. O problema é que não há vagas para o idoso em nenhum hospital da cidade. José precisou receber os primeiros cuidados na UPA, com instalação de sonda para se alimentar e também para urinar, onde está até agora, quase 24 horas após o pedido de transferência.
Segundo a filha, a UPA não é preparada para manter uma internação. “Ele precisa se alimentar de 3 em 3h e a unidade não fornece alimento. A gente não tem condições de ficar comprando, porque é uma alimentação específica e cara. Meu pai pode passar fome aqui”. Desesperada, Eliane diz que esse descaso com os idosos parece proposital. “Eles disseram que a gente ainda vai ter que esperar uns 3 ou 4 dias, porque tem casos mais urgentes do que o dele. Acho que eles fazem isso para o idoso desistir e ir embora, morrer em casa”, protesta a filha.
