O governador André Puccinelli confirmou nesta terça-feira (14), durante cerimônia da entrega dos prêmios para os melhores alunos da Rede Estadual de Ensino, que o Estado está em negociação com a diretoria da Santa Casa para liberar o empréstimo de R$ 60 milhões para a nova administração do hospital.
De acordo com o governador, o recurso será destino para quitar os débitos da Santa Casa com relação aos Tributos Federais, para que o hospital continue recebendo os recursos sem prejudicar o atendimento à população.
“Sempre estive disposto a ajudar a Santa Casa e vou continuar ajudando sempre”, afirma o governador.
Dívida
No dia 17 de maio, o comando da Santa Casa de Campo Grande deixa de ser administrado pelo poder público e volta para a administração da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG).
Ela estava em intervenção da Prefeitura de Campo Grande e do Estado desde 2005. Neste período acumulou uma dívida em torno de R$ 160 milhões.
“Quem banca a situação econômica da Santa Casa, em sua grande maioria, é o SUS [Sistema Único de Saúde]. Os valores pagos sobre os procedimentos do SUS está abaixo dos valores de gastos reais e não há o ressarcimento. Então acumula a dívida”, explica o governador.
Segundo André o Estado repassa mais de R$ 1 milhão para a Santa Casa, além de doar recursos a outros 61 hospitais de Mato Grosso do Sul.
“Mesmo assim se essa defasagem dos valores pagos nos procedimentos não for considerada, além da vinda de estrangeiros paraguaios, bolivianos e de outros estados para tratamento, a Santa Casa nunca se recuperará”, conclui o governador.
Crise
No início desse mês o presidente da ABCG, Wilson Telescon, afirmou que a dívida da Santa Casa está em torno de R$ 101 milhões com o setor público e privado. Desse montante, cerca de R$ 25 milhões são devidos ao governo federal. “E também têm outros R$ 50 milhões que estão envolvidos e processos judiciais”, expôs o presidente. Cerca de 400 ações judiciais envolvem o hospital.
Conforme explicação do presidente, a dívida do hospital é maior com instituições privadas do que públicas, já que os gestores da Santa Casa foram obrigados a encontrar recursos para manter o atendimento a pacientes que não tinham condições de arcar com pagamentos. “A dívida não é feita somente de tributos federais. Ela inclui dívidas com fornecedores, por exemplo”, afirma.
A sugestão de Wilson, para salvar a Santa Casa de dívidas, é de que um pacto deve ser formado entre município, Estado e União. “Eles precisam costurar esse pacto não por percentuais, mas pelo custo de benefícios que eles desejam fazer. Se estão implementado um padrão de serviço, têm que arcar com o custo do que está sendo implementado”.
Na conclusão de Wilson, o maior interessado na resolução do problema é a sociedade, que vai ter serviço de qualidade e em quantidade necessárias para um bom atendimento.
