A força-tarefa instituída pelo Ministério da Saúde não irá atuar apenas no Hospital do Câncer e no Hospital Universitário, em Campo Grande, mas nas quatro unidades que prestam o serviço de atendimento oncológico ao SUS, o que inclui o Hospital Regional e a Santa Casa. A informação foi apresentada nesta quarta-feira (8), no Núcleo Estadual do Ministério da Saúde, em Campo Grande.
Instituída pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a força-tarefa avaliará três eixos: se as recomendações das auditorias foram cumpridas e qual a situação atual do serviço oncológico; a segurança do paciente (para determinar está sendo atendidos de forma segura e eficiente); e a situação da assistência oncológica no município e sua integração com a rede estadual de oncologia.
A força-tarefa foi criada para acelerar o cumprimento de medidas corretivas solicitadas pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus).
“O trabalho desta força-tarefa é fundamental para garantir à população de Mato Grosso do Sul o acesso a um tratamento oncológico eficaz e de qualidade. E não tenho dúvida de que um dos seus legados será o de promover mais segurança aos pacientes deste estado, bem como relações mais transparentes na estrutura do sistema público de saúde”, avaliou o secretário de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP), Odorico Monteiro.
O grupo dedicado à avaliação da segurança do paciente irá analisar prontuários médicos para avaliar se os tratamentos utilizados correspondem ao indicado e ao que está sendo ressarcido pelo SUS. Também serão analisados índices de toxicidade, recaída da doença e mortalidade. Para tanto, haverá cruzamento das informações contidas no prontuário com sistemas de informação do SUS.
Criada por meio de uma portaria, publicada no Diário Oficial da União de ontem (7), a força-tarefa é composta por representantes do Denasus, que coordena o trabalho do grupo, além de integrantes do Departamento de Atenção Especializada (DAE) e do Departamento de Regulação, Avaliação e Controle de Sistemas (DRAC) da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O grupo deverá atuar, a princípio, no prazo de 30 dias e tem a participação de representantes das três esferas de governo.
A força-tarefa irá discutir, ainda, a expansão do serviço de radioterapia em Mato Grosso do Sul e verificar se há novas irregularidades apuradas recentemente pela Polícia Federal, CGU, Ministério Público Estadual e Federal a partir das auditorias do Denasus, além de combater o desperdício de recursos públicos.
“Queremos expandir o serviço no Hospital Universitário e criar um serviço de radioterapia no Hospital Regional, que é do Estado. Então, esta força-tarefa também vai identificar se é necessário termos outros serviços no Estado, além desses já programados. Nossa ideia é expandir serviços para o interior, com foco muito claro em reduzir as filas para o tratamento de câncer”, disse o ministro Alexandre Padilha, de acordo com a Agência Saúde.
O ministro veio a Campo Grande após reportagem feita pelo Fantástico, da Globo, sobre irregularidades no Hospital do Câncer e no Hospital Universitário, em Campo Grande, e as descobertas feitas pela Operação Sangue Frio, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a CGU (Controladoria Geral da União), além das auditorias concluídas entre 2011 e 2012 pelo Denasus.
