Vereadores da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal foram, na manhã desta segunda-feira (5), inspecionar o Centro de Terapia Intensiva Pediátrica da Santa Casa. Havia denúncia de que o setor teria sido fechado, por determinação da Vigilância Sanitária Estadual, o fato não se confirmou. O que aconteceu é que dois leitos instalados de forma improvisada - a fim de atender a constante demanda de pacientes - foram fechados.
No mesmo espaço físico, onde antes havia seis leitos de CTI, outros dois operavam, com todos os equipamentos necessários, mas com espaço físico inadequado, segundo a vigilância, o que levou ao fechamento. O presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Wilson Levi Teslenco, ressaltou que há anos os leitos estavam em operação. “A Vigilância Sanitária estava de olhos fechados e agora resolveu abrir”, avaliou.
O diretor clínico da Santa Casa, Heitor Soares, destacou o impacto gerado pelo fechamento dos leitos. “O que deve se avaliar é que temos duas possibilidades a menos de salvar vidas. Eram oito leitos, agora são seis, então duas crianças que poderiam ser salvas terão de esperar e podem não resistir. Para nós e para as crianças isso faz muita diferença”, explica.

A vigilância sanitária determinou o fechamento de dois leitos por considerar o espaço físico inapropriado
Foto: Rafael Gaijim/CapitalNews
De acordo com o superintendente da ABCG, Geraldo Justo, existem 590 pessoas internadas hoje na Santa Casa, das quais 32 estão na fila, aguardando por uma cirurgia que a estrutura do hospital não permite que seja realizada.
Ainda de acordo com a Associação, do dia primeiro até hoje, 115 pacientes chegaram a Santa Casa, vítimas de acidentes de trânsito. Desse total, 83 envolveram motociclistas. “Da madrugada de sexta-feira até a madrugada de domingo, todas as equipes ficam de prontidão, é um estado de guerra”, compara Justo.
Perspectiva de solução
Teslenco lembra que o hospital opera muito além da capacidade. Nesse contexto, pacientes com traumas despertam um alerta: “Não temos perspectiva nenhuma de melhora, de 2,4 mil cirurgias realizadas mensalmente na Santa Casa, 1,4 mil são vítimas de trauma. As pessoas estão morrendo”, declarou.

O presidente da ABCG alerta: "as pessoas estão morrendo"
Foto: Rafael Gaijim/CapitalNews
Para Heitor Soares o trânsito é o principal responsável pelo colapso no sistema de saúde. O médico citou que a Capital é campeã nacional em acidentes de trânsito. “Não sei qual é a solução, mas qualquer medida e investimento que se faça nessa área é mais barato que o custo de uma morte, de um tetraplégico. Afinal, qual é o preço de uma vida?”, pondera.
O presidente da ABCG, mesmo diante dos problemas da entidade, pontua que a Santa Casa é o local onde se resolve os problemas. “Estamos no limite das nossas capacidades, não se consegue cumprir com o que é pactuado nas câmaras técnicas, em livre demanda acabamos sobrecarregados”, disse Teslenco.
As medidas para desafogar a Santa Casa, segundo a direção, vão desde conscientização para a população em busca do atendimento, até a ampliação dos investimentos. Teslenco e Heitor convergem para a necessidade de se “explicar o que é e para que serve o pronto atendimento”. “Assim sobraria mais tempo para nos dedicarmos aos atendimentos de alta complexidade”, alega o diretor clínico.
