Os deputados estaduais Amarildo Cruz (PT) e Junior Mochi (PMDB) visitaram às 16h15 desta quarta-feira (9) a Santa Casa de Campo Grande, em um dos últimos trabalhos em campo da comissão que investiga irregularidades nas principais unidades de saúde de Mato Grosso do Sul. Após duas horas andando por todos os andares do prédio, inclusive visitando as obras do Hospital do Trauma, que estão praticamente na metade, os parlamentares constataram que a Santa Casa está prestando atendimento eficiente à população. “Pela atenção dada aos pacientes, bons equipamentos, muitos funcionários... Foi importante esta visita”, constatou Cruz.
A CPI entrega no dia 23 de outubro o relatório final, e conseguiu após cinco meses investigar seis unidades de saúde na Capital e outros tantos em 11 municípios. Cruz tinha dito nesta manhã que o relatório está “à altura” da vontade dos deputados quando instalaram a comissão. Foram colhidos cerca de cem depoimentos, e analisados 40 mil páginas de documentos. Antes do término, “mais uma ou duas unidades serão visitadas”, informou o petista.
Para receber os parlamentares, o presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG) — sociedade que administra o hospital — Wilson Teslenco, colocou a gerente-geral de Enfermagem Cristiane Ost e superintendente Geraldo Justus para acompanhá-los.
Ambos os técnicos tinham disponível diante de si um hospital funcionando sem superlotação e com pleno atendimento dos funcionários. “Depende muito [a superlotação]. Quando chove ou faz frio, esvazia. Quando sai pagamento, lota”, analisou Justus.

Junior Mochi e Amarildo Cruz foram nesta tarde à Santa Casa, e andaram por duas horas por suas dependências
Foto: Deurico/Capital News
Melhorias
Neste momento, está sendo aguardada uma reforma de R$ 11 milhões que a Santa Casa em breve fará, sendo esperado somente a ordem de serviço da Caixa Econômica Federal (CEF) para iniciar o projeto de melhoria. Deve durar em torno de 12 meses, e depende somente de o Ministério da Saúde liberar a reforma, pois ajustes tiveram que ser feitos.
Mesmo no aguardo, algumas benfeitorias já são feitas, como oito unidades de terapia intensiva no setor de Pediatria que estão sendo finalizadas.
Para o superintendente, uma boa opção seria montar uma unidade à parte que trate os pacientes idosos, que não necessitam de complexos equipamentos e ficam durante muito tempo em um andar do hospital. “Precisam mais de imunidade do que de outra coisa”, completou Ost.
Teslenco disse ainda que seria bom que pequenos projetos saíssem do papel, com ajuda de empresas. “Estamos catalogando neste momento várias empresas.”
Quanto ao orçamento da Santa Casa, que ultrapassa R$ 14 milhões mensais, cujos são gastos na maior parte com funcionários, Teslenco acredita que uma atualização dos cadastros dos gastos do hospital elevaria o repasse do governo federal. Assim, “poderia melhorar os equipamentos e o setor operacional”, ou seja, os serviços oferecidos à população.
Hospital do Trauma
O presidente disse também que existe um entrave da planilha da construção do Hospital do Trauma — está sendo erguido anexo à Santa Casa — que não está sendo bem aceito pelo Ministério da Saúde. Sem revelar o custo necessário para terminar as obras, o presidente disse que no meio deste mês estará reenviando a planilha ao Ministério.
A obra iniciou-se em 2002, mas parou dois anos depois por conta da intervenção. Na sequência, reiniciaram em 2010, porém, pararam novamente.

Hospital do Trauma tentou se erguer por duas vezes, mas está com metade das obras prontas
Foto: Deurico/Capital News
ABCG
Quanto ao processo de intervenção feito pelos poderes públicos no hospital, que voltou a ser gerenciado recentemente pela associação, Teslenco analisa positivamente a posição do governo do Estado e da Prefeitura de Campo Grande em se comprometerem com o pagamento de R$ 80 milhões, que serão emprestados da CEF para pagar metade da dívida da Santa Casa, que acumulou durante o processo de intervenção. “Bom que os entes públicos assumam suas responsabilidades”, falou.
O governo estadual garantiu metade do dinheiro, e a Prefeitura já sinalizou que fará o repasse.

Wilson Teslenco, presidente da associação que administra o hospital, quer que os contratos dos gastos da unidade sejam atualizados pelo governo federal
Foto: Deurico/Capital News
