No dia 17 de maio, o comando da Santa Casa de Campo Grande sairá do poder público e voltará para a Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), entidade que sempre geriu a instituição hospitalar. Quando assumiram a administração do hospital, em 2005, por meio de decisão judicial, a Prefeitura de Campo Grande e o Estado de Mato Grosso do Sul encontraram o hospital com uma dívida de R$ 37 milhões. No próximo mês, junto a Santa Casa, a ABCG receberá uma dívida de R$ 160 milhões.
“No quadro real do hospital, o que se destaca é o fato de que existe um déficit mensal de R$ 2,5 a R$ 3 milhões. Há uma estimativa de que a dívida do hospital [...], facilmente, chegue a R$ 160 milhões”, revela o presidente da ABCG, Wilson Teslenco, que afirmou que o débito do hospital aumentou cinco vezes desde 2005, quando a Santa Casa virou alvo de intervenção pública. A receita do hospital fica em torno de R$ 16 milhões mensais.
Ainda de acordo com Wilson, esses dados foram pegos pela ABCG ainda em 2012, no final do ano, quando o Governo do Estado procurou a associação para negociar uma tentativa de devolução antecipada da Santa Casa. “A proposta não era favorável ao hospital”, de acordo com Wilson, e devolução não foi concretizada.
Agora, com o prazo da intervenção, determinado pela Justiça, se esvaindo – a data limite é 17 maio – a “proposta é cada um assumir um terço do problema”, como sugere Wilson, dizendo que a dívida poderia ser rateada em três partes a serem pagas pela ABCG, Prefeitura de Campo Grande e Estado de Mato Grosso do Sul. Essa divisão acarretaria em uma dívida em torno de R$ 53 milhões para cada parte.
“Esse é um grave problema que nós temos que enfrentar. Hoje, o problema desse volume de dívidas tem feito com que o hospital opere, sob o aspecto financeiro, sem poder gerir uma conta com cheques”, explana o presidente dizendo que existem cerca de 400 ações judiciais contra a Santa Casa, que impedem o hospital de manter uma conta corrente.

Presidente da ABCG, Wilson Teslenco, afirma que poder público endividou ainda mais a Santa Casa
Foto: Bruno Chaves/CapitalNews
Transição
Para sanar esses e outros aspectos, a ABCG procurou o poder público para sugerir uma equipe de transição que cuidará da passagem de administração do poder público para a associação. “Mas eles não se manifestaram”, relata o presidente.
Com isso, a ABCG entrou com pedido na Justiça para que o poder público – Estado e Município – indique nomes para comporem uma equipe de transição, a fim de facilitar a transferência de gestão.
A ABCG entrou com o pedido no dia 19 de março. A decisão da Justiça, favorável a entidade, saiu no dia 1º de abril. “Eles [poder público] devem indicar os integrantes da equipe de transição em um prazo de 48 horas, contadas a partir do momento de intimação. Caso não cumpram com a determinação, o juiz arbitrou multa de R$ 10 mil, por dia, em favor da associação”, explicou o assessor jurídico da ABCG, Carmelino Rezende.
Diversas pessoas do poder público estão sendo intimadas, entre hoje (4) e amanhã (5), para cumprirem o determinado, indicando nomes para compor a equipe de transição de facilitar o processo de devolução do hospital.
Por parte da ABCG, sete pessoas da diretoria do hospital já compõem a equipe de transição. Além delas, dois consultores auxiliarão com as informações. Essas nove pessoas serão dividias em comitês, que cuidarão, cada um, de uma área da instituição.
A intenção do presidente da associação é contar com o auxílio de um renomado hospital de São Paulo (SP) no comando da Santa Casa. Wilson esclareceu que ainda é muito cedo para divulgar o nome desse hospital, mas garantiu que as conversações estão sendo bem encaminhadas. Tudo com o intuito de realizar uma boa administração da instituição de saúde.
“Nós vamos assumir e nós vamos tentar salvar o hospital”, afirma Wilson Teslenco.
Por determinação judicial, a Santa Casa de Campo Grande passou a ser administrada pela prefeitura e pelo Estado em 14 de janeiro de 2005, quando a diretoria da ABCG foi afastada. A justificativa para a intervenção era promover a melhoria no atendimento e saneamento das finanças.
O prazo da intervenção acaba no dia 17 de maio, quando a ABCG voltará ao comando do hospital. “Devemos acreditar no bem e não perder as esperanças”, pede o presidente da associação.
