A Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG) reivindica providencias junto ao poder público para equilibrar as finanças do maior hospital sul-mato-grossense, atualmente com déficit mensal de R$ 4 milhões.
Dessa forma, a crise instalada na instituição foi tema de audiência pública convocada pela Mesa Diretora da Câmara Municipal, na tarde da última quinta-feira (16).
Para Wilson Teslenco, presidente da Associação, a discussão “não se trata de um fato novo”.
“Estamos falando da mesma crise que está implantada também em outras santas casas. É uma crise que existe em função do modelo de financiamento da saúde do País. Hoje, estamos a um passo da estabilidade financeira e, para isso, basta que tenhamos um contrato. Que a Santa Casa não fique dependente de aportes financeiros pontuais, mas que ela possa contar com aquele recurso previsto em contrato”, disse.
A ABCG retomou o comando da Santa Casa em maio do ano passado, após o hospital passar oito anos sob intervenção do Estado e Município. Segundo Teslenco, havia seis meses de tribunos e fornecedores não pagos. “A ABCG conseguiu administrar, pois houve recursos pontuais, seja Estado ou Município. Existem recursos federais para serem aplicados em reformas e equipamentos”, continuou. Segundo ele, a despesa mensal é de R$ 22 milhões.
De acordo com o vice presidente da ABCG, Esacheu Nascimento, é necessário cobrar providências do poder público. “Atenção à saúde é responsabilidade da União, Estado e Município. Mas, essa participação, tem sido muito pequena e não cobre a necessidade da rede. Essa responsabilidade precisa ser cobrada”, afirmou.
Já o diretor-presidente da Fundação Carmem Prudente, Carlos Alberto Coimbra, criticou a forma como os hospitais filantrópicos são vistos. “Vejo os hospitais filantrópicos, em alguns momentos, como grandes vilões, e sem nenhum apoio do poder público. A partir do momento que o poder público encarar esses hospitais filantrópicos como grandes parceiros, terão avanços. Encarar não com subfinanciamento, mas com repasses dignos. A gente não tem como trabalhar se não tivesse esse repasse”, disse.
Também presente na audiência, o presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), Alberto Cubel Junior, destacou uma série de fatores impactantes na crise do hospital, como o trauma. “O que está superlotando o hospital é o trânsito. Nosso trânsito é violento, nossa Lei Seca não é respeitada. O pronto-socorro está superlotado. Outro fator é em relação aos cuidados primários. Doenças cardiovasculares são cada vez mais graves, e isso impacta na nossa urgência e emergência. Nossos gestores, apesar da boa vontade, ainda não conseguiram diminuir esse impacto”, apontou.
O debate reuniu também membros do MPE (Ministério Público Estadual), conselhos de saúde e regionais, além dos secretários estadual e municipal de saúde, Antônio Lastória e Jamal Salem.
