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Rural Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012, 07:42 - A | A

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012, 07h:42 - A | A

Rastreabilidade bovina: Benefícios e desvantagens

Fernanda Kintschner - Capital News (www.capitalnews.com.br)

De acordo com o Ministério da Pecuária e Agricultura (MAPA), rastreabilidade é o sistema que registra a “vida pregressa” dos produtos, além disso, o serviço traz a possibilidade de conhecer os possíveis perigos à saúde coletiva a que os produtos foram expostos durante o período de produção e distribuição. A origem dos insumos e matéria-prima também pode ser registrada através do sistema.

O Sisbov - Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos – desenvolvido pelo MAPA tem a função de controlar todo o processo de produção da carne no país. Outro serviço do MAPA, o SIF, identifica a procedência do frigorífico responsável pelos produtos que são embalados in natura e derivados de origem animal.

Dependendo dos resultados do processo da rastreabilidade é possível aplicar medidas preventivas e certificar que os produtos considerados ‘impróprios’ sejam retirados de circulação, garantindo que a saúde pública não sofra impactos negativos com o consumo inadequado. Ainda de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a indústria deve respeitar os princípios da rastreabilidade, pois o serviço dá notoriedade à origem dos produtos, para auxiliar tanto compradores quanto fornecedores a melhorar a relação cadeia produtiva/consumidor.

A médica veterinária e sócio-proprietária da Rastro 2A – empresa de consultoria em rastreabilidade – esclarece as vantagens de se obter o sistema em entrevista do site Rural News e enfatiza porque é importante que produtores utilizem a tecnologia em suas propriedades.

De acordo com Aline, o principal objetivo da rastreabilidade é garantir o controle e a possibilidade de rastrear o produto e ajuda no controle de índices dentro da propriedade e manejos em geral.

Ganhos econômicos

Houve um tempo em que a rastreabilidade proporcionava ganhos mais compensatórios aos produtores. Hoje, um maior número de propriedades entrou para a Lista Trace (Lista da União Europeia), baixando o valor da bonificação por arroba. “Houve um período em que o produtor chegou a ganhar de R$ 8,00 a R$ 10,00 a mais por arroba e mesmo com a lei da oferta e da procura, o sistema ainda é atrativo”, esclarece Aline.

A crise de 2008 e a queda do dólar foram o ápice ao desestímulo da rastreabilidade, isso porque essas questões econômicas afetaram consideravelmente o mercado mundial incluindo as exportações brasileiras, principalmente as commodities agropecuárias, é o que afirma a empresária do ramo.
 

Dificuldades

Ainda segundo a médica veterinária, muitos produtores estão desistindo do sistema e, apesar de acreditarem na tecnologia, não obtêm o retorno esperado. Ela diz à reportagem que no final do ano de 2011, Mato Grosso do Sul estava com 288 propriedades rurais aprovadas para exportação à União Europeia. Já no mês de setembro de 2012 não foram acordadas mais do que 252 propriedades. Ela entende que nenhum outro mercado exige a rastreabilidade bovina, o que poderia ser um incentivo para o produtor mesmo que em menor valor”, pontuou.

Solução

Para solucionar esse tipo de problema o ideal seria criar uma regulamentação para esse tipo de comércio, em que até mesmo os países que não exigem a rastreabilidade fizessem parte.

Há dois anos, o Estado foi o pioneiro no incentivo à regulamentação através de um grupo de produtores e com o apoio do Sindicato Rural de Campo Grande (SRCG) – capital do Estado. De acordo com a profissional esse ‘pioneirismo’ trouxe resultados positivos para Goiás e Mato Grosso, locais onde houve paralisação total das vendas de carne para países da União Europeia e países como o Chile.

“Mato Grosso do Sul apesar de ser o pioneiro, não conseguiu o travamento total do campo. Várias reuniões foram realizadas, entidades ruralistas foram envolvidas, porém, continuamos sem opção de escolha e enviando uma carne diferenciada e de qualidade para o Chile, mesmo não podendo opinar e sem receber a bonificação, que é de direito do produtor”, concluiu a especialista.

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