Tensos com a atual situação de insegurança jurídica instalada com as invasões em propriedades privadas no Estado, 20 produtores rurais de Iguatemi e Japorã reuniram-se com a assessoria jurídica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul) para receber orientações constitucionais sobre como proceder em caso de invasão. Durante a reunião, que ocorreu na sexta-feira (18), na sede do Sindicato Rural de Iguatemi, a Famasul ressaltou a importância da união dos profissionais do setor agropecuário.
Com cinco propriedades invadidas naquela região, o assessor jurídico da Famasul, Carlo Coldibelli, orienta que os proprietários procurem meios legais para a retirada dos invasores. “É imprescindível que as ações dos produtores sejam baseadas na lei e que evitem o confronto direto com indígenas. Trabalhamos diuturnamente para que se estabeleça a paz no campo e acreditamos que a violência não soluciona conflitos.”
Coldibelli destacou a importância da aprovação da portaria 303 que normatiza os procedimentos demarcatórios, estendendo para todos os processos de demarcação de terra as 19 condicionantes estabelecidas no julgamento da Raposa Serra do Sol. “Entre as condicionantes é vedada a ampliação da terra indígena já demarcada, por exemplo,”, ressaltou.
Um dos casos discutidos na reunião foi o da fazenda Guassuri, invadida pela primeira vez em 2003. De acordo com o filho do proprietário da fazenda, Fabiano Milanizi Alves, na ocasião a Justiça Federal determinou que os indígenas se mantivessem em 10% da área da propriedade. Entretanto, desde o início de outubro, os invasores avançaram e agora o dono da propriedade é proibido pelos indígenas de entrar na fazenda e teve sua produção interrompida.
A Famasul ressalta que diferente do informado na quinta-feira (17), o sítio São Marcos, invadido por indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, está lotado no município de Japorã, e não em Iguatemi, como foi noticiado.
Ao todo, já são 71 propriedades rurais invadidas por indígenas em Mato Grosso do Sul. Deste total, 15 fazendas foram invadidas após o acordo firmado entre indígenas e produtores rurais em junho deste ano com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de cessar as invasões para que uma solução concreta fosse apresentada pelo governo federal.
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